Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo

terça-feira, 26 de junho de 2012

O gênio feminino


A família, a grande família humana e cada uma das famílias que compõem a humanidade, é o grande projeto de Deus para que o homem e a mulher tenham um sentido nobre e prático para suas vidas.
Ambos, segundo o modo de ser que lhes é próprio, o gênio feminino e o gênio masculino, colaboram na sustentabilidade e no desenvolvimento da sociedade humana, que dentro desse projeto divino é condição necessária e fundamental para que os povos vivam em paz, na justiça e na igualdade de direitos e deveres.

Considerando a mulher vê-se que ela está cada vez mais presente na vida social, levando para além dos limites do ambiente familiar a sua valiosa contribuição como pessoa que é, e sempre com suas peculiares e profundas riquezas femininas.

Tanto a família como o mundo necessitam de uma mulher real e autenticamente emancipada, respeitada, madura e competente na profissão, reconhecida no seu papel público e domiciliar, para que ela possa injetar no ambiente político, cultural, educacional, etc., uma qualidade específica do seu gênio feminino.

Com palavras de um conhecido psiquiatra austríaco, discípulo de Freud, o vienense Viktor Frankl, há na mulher – no homem também de outra forma - aquilo que ele denominou de “poder de resistência do espírito”, isto é, a tenaz capacidade de reagir diante dos grandes valores humanos, a força para voltar a erguer-se e de reempreender o esforço necessário para comportar-se a altura da sua dignidade humana.

Se é verdade que o ser feminino e o ser masculino são portadores de igual dignidade e de igual responsabilidade social e familiar, é preciso considerar que toda a sustentabilidade e desenvolvimento da grande família humana exigem que o valor total e real da mulher seja respeitado e colocado numa posição mais visível, para ser devidamente conhecido e admirado com respeito.

A mulher com sua dimensão feminina tem na sua sexualidade uma propriedade da sua pessoa, que a informa substancialmente no modo de ser e de atuar ao lado do homem, mas jamais pode ser considerada apenas como um corpo orientado somente para o sexo.

O verdadeiro papel social da mulher ao lado do homem, não é ser uma reprodutora. A mulher com sua tenacidade de espírito e com sua delicada ternura, com sua generosidade incansável e com sua agudeza de inteligência, com sua capacidade de intuição e com seu amor concreto pela outra pessoa, é a pessoa que no seu gênio feminino alicerça profundamente o projeto de Deus para a grande família.

Consideremos a Beata Irmã Dulce dos Pobres, a Beata Madre Teresa de Calcutá, tantas mães de família, outras mulheres que exercem a medicina, a política, a enfermagem, a pedagogia, etc., as meninas e as jovens que se dispõem a um trabalho de voluntariado em ambientes pobres e violentos, todas essas mulheres, conhecidas e anônimas, no celibato e no casamento, na família e no ambiente profissional e social, estão construindo um mundo melhor e mais justo, só por causa da solidez e da firmeza do seu gênio feminino.

Dom Antonio Augusto Dias Duarte
Bispo auxiliar do Rio de Janeiro - RJ

Vaticano pede maior promoção à vocação sacerdotal



Foi apresentado na manhã desta segunda-feira, 25, no Vaticano, o Documento "Orientações pastorais para a promoção das vocações ao ministério sacerdotal".

O documento está estruturado em três partes: a primeira examina a situação atual, seja das vocações como do ministério sacerdotal nas várias partes do mundo; a segunda aborda a vocação e a identidade do sacerdócio; e a última parte, por fim, indica propostas para a pastoral das vocações sacerdotais.

O prefeito da Congregação para a Educação Católica, Cardeal Zenon Grocholewski, explica que a primeira parte do documento indica, sobretudo, três razões principais que contrastam a pastoral vocacional e que tornam evidente nas Igrejas de antiga tradição cristã no ocidente: O declínio da população e da crise da família; a difusão da mentalidade secularizada; as difíceis condições de vida e do ministério do padre.

Já na segunda parte é oferecida uma apresentação resumida e global da identidade e do ministério sacerdotal, mais concentrada no perfil teológico e espiritual do padre.

— A síntese da doutrina teológica e espiritual apresentada nestes parágrafos responde a duas exigências. Antes de tudo, a intenção é colocar em destaque as características essenciais da vocação ao sacerdócio, com referência à sintese oferecida pelo Concíclio Vaticano II e desenvolvida no Ministério pós-concílio, sobretudo na Pastores dabo vobis, explica o secretário da Congregação para a Educação Católica, Dom Jean-Louis Bruguès.

A terceira parte é a mais longa do documento e propõe uma série de indicações concretas sugeridas por todas as conferências episcopais consultadas. Na primeira frase do capítulo lê-se: “Em alguns países registra-se um vigoroso e promissor florescimento das vocações sacerdotais, que encoraja o prosseguimento no caminho da promoção vocacional”.

— É interessante confrontar a evolução das vocações ao sacerdócio ocorrida nos últimos 10 anos. Observamos o número de estudantes de filosofia e teologia, seja nas dioceses que nas congregações religiosas masculinas distribuídas nas diversas áreas geográficas, esclarece o subsecretário da Congregação para a Educação Católica, Dom Angelo Vincenzo Zani.

Na Europa, por exemplo, se constatou uma maior carência de vocações sacerdotais. Os estudantes de teologia e filosofia nos centros diocesanos em 2000 eram 26.879 e em 2010 passaram a ser 20.564.

Já na América Latina, os dados se mostram mais estáveis, mas com uma pequena elevação: Em 2010, os estudantes de teologia e filosofia nos centros diocesanos em eram 20.79, e, em 2010, passaram a ser 20.919.

Uma solicitação importante feita no documento diz respeito à Vigília do Ano da Fé que é um chamado a “propor a experiência de fé como relação pessoal e profunda com o Senhor Jesus Cristo”.

—O documento repete novamente o campo fértil para a semeação vocacional, é uma comunidade cristã que ouve a Palavra, reza com a liturgia e testemunha a caridade. Ele dirige a toda Igreja a um encorajamento, a retomar com confiança o próprio empenho educativo para o acolhimento do chamado de Deus ao ministério sacerdotal, conclui Dom Angelo.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Errata sobre a 1ª Missa no Brasil


Quase todos nós ao ouvirmos falar da primeira Missa celebrada em território brasileiro imediatamente trazemos à nossa mente a imagem imortalizada pela tela de Victor Meirelles de 1860 e atualmente exposta no Museu de Belas Artes do Rio de Janeiro.
A pintura, de estilo romântico, representa os indígenas e portugueses assistindo a uma Missa celebrada pelo Frei Henrique de Coimbra, acolitado por um outro frade, diante de uma grande cruz de madeira armada junto do altar da celebração. Por ocasião dos 512 anos da celebração da primeira missa no Brasil, essa imagem está sendo compartilhada nas redes sociais para relembrar o evento. Contudo, a tela de Meirelles retrata na verdade, a segunda Missa no Brasil, celebrada dia 1º de maio.
No dia 26 de abril de 1500, os portugueses celebraram a primeira missa no Brasil, mas na ilha da Coroa Vermelha, uma ilhota que já não existe mais. Era Domingo da Oitava de Páscoa, e a Missa foi celebrada de forma cantada, sobre um altar montada debaixo de um dossel, assistida por cerca de 1000 homens da esquadra de Pedro Álvarez Cabral. Na praia do continente, cerca de 200 indígenas acompanhavam de longe a cerimônia.

“Ao domingo de Pascoela pela manhã, determinou o Capitão ir ouvir missa e sermão naquele ilhéu. E mandou a todos os capitães que se arranjassem nos batéis e fossem com ele. E assim foi feito. Mandou armar um pavilhão naquele ilhéu, e dentro levantar um altar mui bem arranjado. E ali com todos nós outros fez dizer missa, a qual disse o padre frei Henrique, em voz entoada, e oficiada com aquela mesma voz pelos outros padres e sacerdotes que todos assistiram, a qual missa, segundo meu parecer, foi ouvida por todos com muito prazer e devoção.

Ali estava com o Capitão a bandeira de Cristo, com que saíra de Belém, a qual esteve sempre bem alta, da parte do Evangelho.

Acabada a missa, desvestiu-se o padre e subiu a uma cadeira alta; e nós todos lançados por essa areia. E pregou uma solene e proveitosa pregação, da história evangélica; e no fim tratou da nossa vida, e do achamento desta terra, referindo-se à Cruz, sob cuja obediência viemos, que veio muito a propósito, e fez muita devoção.

Enquanto assistimos à missa e ao sermão, estaria na praia outra tanta gente, pouco mais ou menos, como a de ontem, com seus arcos e setas, e andava folgando. E olhando-nos, sentaram. E depois de acabada a missa, quando nós sentados atendíamos a pregação, levantaram-se muitos deles e tangeram corno ou buzina e começaram a saltar e dançar um pedaço. E alguns deles se metiam em almadias — duas ou três que lá tinham — as quais não são feitas como as que eu vi; apenas são três traves, atadas juntas. E ali se metiam quatro ou cinco, ou esses que queriam, não se afastando quase nada da terra, só até onde podiam tomar pé.

Acabada a pregação encaminhou-se o Capitão, com todos nós, para os batéis, com nossa bandeira alta.

***

”(Carta de Pero Vaz de Caminha a El-Rey Dom Manuel I de Portugal, Porto Seguro, 1º de maio de 1500).

O motivo desta celebração ter sido mais afastada foi provavelmente de que o caítão não se sentia seguro de mandar celebtrar a liturgia no continente por ainda não ter contatos suficientes com os nativos da terra.

Foi só na sexta-feira, 1º de maio, que o Frei Henrique de Coimbra celebrou Missa solene diante da cruz de madeira plantada na terra da praia de Porto Seguro, a qual assistiu toda a esquadra e uma grande quantidade de indígenas que se juntaram para observarem a cerimônia.

“E hoje que é sexta-feira, primeiro dia de maio, pela manhã, saímos em terra com nossa bandeira; e fomos desembarcar acima do rio, contra o sul onde nos pareceu que seria melhor arvorar a cruz, para melhor ser vista. E ali marcou o Capitão o sítio onde haviam de fazer a cova para a fincar. E enquanto a iam abrindo, ele com todos nós outros fomos pela cruz, rio abaixo onde ela estava. E com os religiosos e sacerdotes que cantavam, à frente, fomos trazendo-a dali, a modo de procissão. Eram já aí quantidade deles, uns setenta ou oitenta; e quando nos assim viram chegar, alguns se foram meter debaixo dela, ajudar-nos. Passamos o rio, ao longo da praia; e fomos colocá-la onde havia de ficar, que será obra de dois tiros de besta do rio. Andando-se ali nisto, viriam bem cento cinqüenta, ou mais. Plantada a cruz, com as armas e a divisa de Vossa Alteza, que primeiro lhe haviam pregado, armaram altar ao pé dela. Ali disse missa o padre frei Henrique, a qual foi cantada e oficiada por esses já ditos. Ali estiveram conosco, a ela, perto de cinqüenta ou sessenta deles, assentados todos de joelho assim como nós. E quando se veio ao Evangelho, que nos erguemos todos em pé, com as mãos levantadas, eles se levantaram conosco, e alçaram as mãos, estando assim até se chegar ao fim; e então tornaram-se a assentar, como nós. E quando levantaram a Deus, que nos pusemos de joelhos, eles se puseram assim como nós estávamos, com as mãos levantadas, e em tal maneira sossegados que certifico a Vossa Alteza que nos fez muita devoção.

Estiveram assim conosco até acabada a comunhão; e depois da comunhão, comungaram esses religiosos e sacerdotes; e o Capitão com alguns de nós outros. E alguns deles, por o Sol ser grande, levantaram-se enquanto estávamos comungando, e outros estiveram e ficaram. Um deles, homem de cinqüenta ou cinqüenta e cinco anos, se conservou ali com aqueles que ficaram. Esse, enquanto assim estávamos, juntava aqueles que ali tinham ficado, e ainda chamava outros. E andando assim entre eles, falando-lhes, acenou com o dedo para o altar, e depois mostrou com o dedo para o céu, como se lhes dissesse alguma coisa de bem; e nós assim o tomamos!

Acabada a missa, tirou o padre a vestimenta de cima, e ficou na alva; e assim se subiu, junto ao altar, em uma cadeira; e ali nos pregou o Evangelho e dos Apóstolos cujo é o dia, tratando no fim da pregação desse vosso prosseguimento tão santo e virtuoso, que nos causou mais devoção.

Esses que estiveram sempre à pregação estavam assim como nós olhando para ele. E aquele que digo, chamava alguns, que viessem ali. Alguns vinham e outros iam-se; e acabada a pregação, trazia Nicolau Coelho muitas cruzes de estanho com crucifixos, que lhe ficaram ainda da outra vinda. E houveram por bem que lançassem a cada um sua ao pescoço. Por essa causa se assentou o padre frei Henrique ao pé da cruz; e ali lançava a sua a todos — um a um — ao pescoço, atada em um fio, fazendo-lha primeiro beijar e levantar as mãos. Vinham a isso muitos; e lançavam-nas todas, que seriam obra de quarenta ou cinqüenta. E isto acabado — era já bem uma hora depois do meio dia — viemos às naus a comer, onde o Capitão trouxe consigo aquele mesmo que fez aos outros aquele gesto para o altar e para o céu, (e um seu irmão com ele). A aquele fez muita honra e deu-lhe uma camisa mourisca; e ao outro uma camisa destoutras.

E segundo o que a mim e a todos pareceu, esta gente, não lhes falece outra coisa para ser toda cristã, do que entenderem-nos, porque assim tomavam aquilo que nos viam fazer como nós mesmos; por onde pareceu a todos que nenhuma idolatria nem adoração têm. E bem creio que, se Vossa Alteza aqui mandar quem entre eles mais devagar ande, que todos serão tornados e convertidos ao desejo de Vossa Alteza. E por isso, se alguém vier, não deixe logo de vir clérigo para os batizar; porque já então terão mais conhecimentos de nossa fé, pelos dois degredados que aqui entre eles ficam, os quais hoje também comungaram.

Entre todos estes que hoje vieram não veio mais que uma mulher, moça, a qual esteve sempre à missa, à qual deram um pano com que se cobrisse; e puseram-lho em volta dela. Todavia, ao sentar-se, não se lembrava de o estender muito para se cobrir. Assim, Senhor, a inocência desta gente é tal que a de Adão não seria maior — com respeito ao pudor. Ora veja Vossa Alteza quem em tal inocência vive se se convertera, ou não, se lhe ensinarem o que pertence à sua salvação.
Acabado isto, fomos perante eles beijar a cruz. E despedimo-nos e fomos comer.” (Carta de Pero Vaz de Caminha)

***
Fica assim, desfeito o engano. A primeira missa no Brasil foi celebrada em um Domingo, dia 26 de abril, na ilhota da Coroa Vermelha. O que Victor Meirelles representou em seu quadro de 1860 é a primeira Missa celebrada em terras continentais do Brasil, na sexta-feira, 1º de maio de 1500. Nada disso, contudo, anula a memória deste dia, em que comemoramos a primeira Missa celebrada em terras brasileiras, onde por singular graça e sagrado privilégio, nossa Pátria nasceu sendo oferecida a Deus junto com o Santo Sacrifício de Seu Filho e Senhor Nosso, Jesus Cristo.
Brasil: Terra de Santa Cruz!

Comissão Arquidiocesana de Liturgia lança Ofício Divino das Comunidades


“O Ofício das Comunidades é uma herança que abraça a tradição antiga da Igreja e a espiritualidade latino-americana. É uma fonte onde beberam Jesus e as primeiras comunidades cristãs, e onde buscam água, ainda hoje, muitas pessoas que gostam de orar com salmos à luz da páscoa de Jesus. É uma celebração comunitária da fé, uma liturgia. Por meio dela continuamos a oração de Jesus ao Pai, fazendo memória da sua páscoa nas horas do dia e nas horas da vida, intercedendo com Ele, por toda a humanidade, em comunhão com todos e todas que creem”.
Em algumas comunidades de nossa Arquidiocese, e em tantas outras deste imenso Brasil, nem sempre é possível a celebração da Eucaristia. A santa missa é o culto perfeito a Deus, mas na impossibilidade de celebrá-la, o Ofício Divino das Comunidades se apresenta como uma ótima oportunidade de prestarmos nosso louvor a Deus pelas maravilhas que Ele realiza em nossa vida e na vida de nossas comunidades. É uma oração acolhedora onde todos participam, cantam salmos e hinos e partilham a Palavra. Pode ser realizada em igrejas, capelas, comunidades urbanas ou rurais e até mesmo nas casas. Sua estrutura é simples e de fácil entendimento. Na Arquidiocese de Mariana, como em outras partes, muitas Paróquias têm celebrado o Ofício Divino das Comunidades, com ótima aceitação, nas novenas dos(as) santos(as) padroeiros(as), geralmente bem cedo, quando o “irmão sol” irrompe a aurora trazendo luz para a vida que nasce e renasce a cada dia.
O Ofício também pode ser utilizado em encontros, retiros, reuniões pastorais, bem como por ocasião de aniversários, bodas, exéquias e outros momentos da vida das pessoas e das comunidades que levam o Povo de Deus a se reunir em oração, como sinal de sua confiança e esperança no Deus da vida. Nas vésperas das solenidades, festas e em diversos momentos do Ano Litúrgico, recomenda-se a celebração do Ofício de Vigília como “sinal da expectativa do Reino”, que nos prepara para melhor vivermos o mistério Pascal.
O Ofício Divino das Comunidades acompanha o Tempo Litúrgico. No tempo do Advento, a feliz expectativa da espera. No Natal, celebramos a humanidade do nosso Deus. No Tempo Comum, celebramos a Páscoa do Senhor, em nossa vida, na ação do Espírito Santo. Na Quaresma, somos convidados a reviver, com Jesus, a experiência do deserto. Na Páscoa, renascemos para uma vida nova, ressuscitados com Cristo e renovados pela força do seu Espírito. São ofícios cujos cantos, salmos, hinos e leituras bíblicas nos fazem perceber a grande riqueza do Ano Litúrgico. “A Santa Mãe Igreja faz questão de celebrar, em certos dias, ao longo do ano, com religiosa recordação, a ação libertadora do seu divino Esposo” (SC 102).
Diante de tudo isso, convidamos as paróquias e comunidades para fazerem esta rica e bonita experiência de consagrar ao louvor de Deus todas as horas do dia e da noite. Esta oração do povo é a oração de Jesus Cristo. “Através da Igreja, Ele continua exercendo o seu sacerdócio, não somente quando se celebra a Eucaristia, mas também de outras maneiras, especialmente quando, ao recitar-se o Ofício Divino, Ele louva ao Pai e intercede pela salvação do mundo inteiro” (SC 83).
Nesse sentido, a Comissão Arquidiocesana de Liturgia, está disponibilizando para as paróquias o livro do Ofício Divino das Comunidades para o Tempo Comum, no qual se inserem as festas do Senhor, da Santa Virgem Maria, festas e memórias dos santos e santas; tendo ao final possibilidades diversas de salmos, hinos e refrãos meditativos. Por fim, o livro apresenta possibilidades de ritos diversos como: revisão de vida, acendimento do círio, oração e aspersão da água, bênção da mesa, oração do Pai Nosso ecumênico, Ritos de Comunhão diversos segundo o tempo do ofício celebrado. Posteriormente, à medida da aceitação das comunidades, faremos a publicação dos outros dois volumes: Advento/Natal – Quaresma/Páscoa.
O livro do Ofício Divino das Comunidades para o tempo comum estará disponível nos centros pastorais das regiões, a partir do mês de julho, no valor de apenas R$ 3,00. Solicitamos às paróquias para fazerem o seu pedido, o mais rápido possível, no centro pastoral de sua região. Cada paróquia poderá adquirir um kit com os cds do Ofício do Tempo Comum, disponibilizado pela Comissão Arquidiocesana de Liturgia. É importante a comunidade adquirir um bom número de livros, pois assim, mais pessoas poderão acompanhar o Ofício quando este for celebrado.
Contamos com a participação de todas as paróquias em mais este trabalho de dinamização da Palavra de Deus em nossas comunidades, à luz da celebração dos 50 anos do Concílio Vaticano II, do Projeto Arquidiocesano de Evangelização, bem como das solicitações da última Assembleia Arquidiocesana de Pastoral.
Mariana, 22 de junho de 2012
Comissão Arquidiocesana de Liturgia

Papa lembra São João Batista, o precursor de Jesus


Milhares de fiéis reuniram-se, ao meio-dia deste domingo, 24 de junho, para ouvir o Papa recitar a Oração Mariana do Angelus, na Praça São Pedro. Bento XVI lembrou que neste domingo, 24 de junho, a Igreja celebra a solenidade de Nascimento de São João Batista.
"Com exceção à Virgem Maria, o Batista é o único santo do qual a liturgia festeja o nascimento, e o faz porque está estreitamente ligado ao mistério da Encarnação do Filho de Deus.
“Os quatro Evangelhos dão grande destaque à figura de João o Batista, como o profeta que conclui o Antigo Testamento e inaugura o Novo, indicando em Jesus de Nazaré o Messias, o Consagrado do Senhor”, completou Bento XVI.
Citando o Evangelho de São Mateus, o Papa lembrou que depois disso foi o próprio Jesus que falou de João Batista. “Ele é aquele do qual está escrito: Eis que eu envio meu mensageiro diante de ti para preparar o caminho. Em verdade eu vos digo: entre os filhos das mulheres, não surgiu outro maior que João Batista. No entanto, o menor no reino dos céus é maior do que ele”.
Após não acreditar na gravidez tardia de Isabel, o pai de João Batista, Zacarias emudeceu até o dia da circuncisão do menino, quando disse: “E tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo porque virás antes do Senhor para preparar os seus caminhos e para dar ao seu povo o conhecimento da salvação no perdão dos seus pecados”.
O Papa lembrou então que “tudo isso se manifestou trinta anos depois, quando João foi batizar no rio Jordão, chamando as pessoas para que se preparassem, com aquele gesto de penitência, à iminente vinda do Messias, que Deus o havia revelado durante a sua permanência no deserto da Judeia”.
E completou – “Por isso ele é chamado Batista, ou seja, aquele que batiza. Quando um dia de Nazaré chegou Jesus pedindo para ser batizado, Batista de início se negou, mas depois concordou, e viu o Espírito Santo posar sobre Jesus e ouviu a voz do Pai celestial que o proclamava seu filho. Mas a sua missão não estava ainda completa. João foi decapitado no calabouço do rei Erodes, e assim o testemunho do Cordeiro de Deus ficou completo, aquele que Batista havia antes de todos reconhecido e indicado publicamente”.
Após o Angelus, o Papa lembrou que na terça-feira, 26, fará uma visita às áreas atingidas pelos recentes terremotos no norte da Itália e pediu que toda a Igreja o acompanhe em orações.


Bento XVI recebe cardeais para aprofundar reflexão sobre desempenho da Cúria Romana
Na manhã de sábado, 23 de junho, por volta das 10h, Bento XVI manteve audiência com os chefes dos Dicastérios, na Sala Bologna.
“No contexto da situação criada após a difusão de documentos reservados da Santa Sé, o Santo Padre aprofunda suas reflexões em diálogo continuo com as pessoas que dividem com ele a responsabilidade de governar a Igreja”, disse também na manhã deste sábado o Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Padre Federico Lombardi.
Já por volta das 18h, o Papa recebe o Arcebispo de Sidney, Dom George Pell; o Prefeito da Congregação para os Bispos, Cardeal Marc Ouellet; o Cardeal Jean-Louis Tauran, Presidente do Pontíficio Conselho para o Diálogo Interreligioso; o Vigário Geral emérito para a Diocese de Roma, Cardeal Camillo Ruini e o Cardeal Jozef Tomko, Prefeito emérito da Congregação para a Evangelização dos Povos.
“Em razão da força da grande e variada experiência dos senhores cardeais a serviço da Igreja, não somente no âmbito romano mas também internacional, o Papa resolveu encontrá-los ainda neste sábado, para uma troca de considerações e sugestões para contribuir a reestabelecer o tão desejado clima de serenidade e de confiança no que tange os trabalhos da Cúria Romana”, finalizou Padre Lombardi.
Ainda neste contexto, o Papa nomeou neste sábado novos membros do Conselho dos Cardeais para o estudo dos problemas organizacionais e econômicos da Santa Sé. São eles: o Cardeal Polycarp Pengo, Arcebispo de Dar-es-Salaam, na Tanzânia, Cardeal Telesphore Placidus Toppo, Arcebispo de Ranchi, na Índia, e John Tong Hon, Bispo de Hong Kong.
Outra novidade é a nomeação do novo Núncio Apostólico junto à União Europeia, o Arcebispo Alain Paul Lebeaupin, que até então era Núncio Apostólico no Quênia e Observador Permanente junto ao Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.


Papa fala em «crise moral» com consequências econômicasBento XVI recebeu empresários da agricultura e pesca da Itália
Bento XVI afirmou no dia 22 de junho, no Vaticano, que na base das atuais dificuldades econômicas há uma “crise moral”, pedindo que as “instâncias éticas” tenham primazia sobre “qualquer outra exigência”.
“É preciso levar remédio onde está a raiz da crise, favorecendo a redescoberta dos valores espirituais”, disse o Papa, numa audiência a empresários da agricultura e pesca da Itália (Coldiretti).
Falando da atividade laboral como “uma ferramenta indispensável para a convivência justa e humana”, Bento XVI falou de valores como “o respeito pela dignidade da pessoa, a busca do bem comum, a honradez e a transparência”.
Para o Papa, a Igreja Católica e a sua mensagem estão ligados à sociedade, “à economia, ao trabalho”, apelando ao respeito pelas “justas exigências do descanso e da regeneração corporal e, mais ainda, espiritual”.
“A Igreja não é nunca indiferente à qualidade de vida das pessoas nem às suas condições laborais”, precisou, frisando a necessidade de “cuidar dos seres humanos e dos contextos em que vivem e produzem, para que sejam sempre lugares humanos e humanizadores”.
Bento XVI defendeu a importância de sublinhar os “aspetos mais nobres” da pessoa: “o sentido do dever, a capacidade de partilhar e o espírito de sacrifício, a solidariedade”.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

CNBB publica mensagem sobre a Conferência das Nações Unidas Rio+20


“A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) espera que, da Rio+20, brote o compromisso de construção de um ‘modelo de desenvolvimento alternativo, integral e solidário, baseado em uma ética que inclua a responsabilidade por uma autêntica ecologia natural e humana, que se fundamenta no evangelho da justiça, da solidariedade e do destino universal dos bens e que supere a lógica utilitarista e individualista, que não submete os poderes econômicos e tecnológicos a critérios éticos’” (V Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e caribenho – Documento de Aparecida n474c).
Com essas palavras, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil emitiu hoje, 19 de junho, uma mensagem sobre a Conferência Rio+20, que acontece na cidade do Rio de Janeiro (RJ), de 13 a 22 de junho.
Segundo a CNBB, todos devem assumir, com coragem e determinação, o compromisso de rever caminhos e decisões que, ao longo da história, só têm excluído e condenado os pobres à miséria e à morte.
A Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, contribui para definir a agenda do desenvolvimento sustentável para as próximas décadas.
A proposta brasileira de sediar a Rio+20 foi aprovada pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em sua 64ª Sessão, em 2009.
O objetivo da Conferência é a renovação do compromisso político com o desenvolvimento sustentável, por meio da avaliação do progresso e das lacunas na implementação das decisões adotadas pelas principais cúpulas sobre o assunto e do tratamento de temas novos e emergentes.
Leia a mensagem abaixo:
Mensagem da CNBB sobre a Conferência Rio +20
“O Senhor Deus tomou o Homem e o colocou no jardim de Éden, para o cultivar e guardar” (Gn 2,15).
A Conferência das Nações Unidas Rio +20, sobre o desenvolvimento sustentável, acolhida pelo Brasil neste mês de junho, carrega consigo a irrenunciável responsabilidade de responder aos anseios e expectativas mundiais em relação à defesa e promoção de toda forma de vida, especialmente a humana, desde sua concepção até seu término natural.
A crise econômica, financeira e social por que passam as grandes potências da economia mundial, com graves consequências para as nações emergentes, emoldura a Rio +20. Considerada, por causa de sua profundidade e alcance, como uma crise de civilização, esta crise “interpela todos, pessoas e povos, a um profundo discernimento dos princípios e dos valores culturais e morais que estão na base da convivência social”. Entre suas múltiplas causas está “um liberalismo econômico sem regras e incontrolado” (Nota do Pontifício Conselho Justiça e Paz sobre o sistema financeiro).
É urgente repensar nossa relação com a natureza, que “nos precede, tendo-nos sido dada por Deus como ambiente de vida” e está à nossa disposição “não como um lixo espalhado ao acaso, mas como um dom do Criador” (Bento XVI – Caritas in Veritate, n. 48). Se, por um lado, como nos recorda o papa Bento XVI, é “lícito ao homem exercer um governo responsável sobre a natureza para guardá-la, fazê-la frutificar e cultivá-la, inclusive com formas novas e tecnologias avançadas, para que possa acolher e alimentar condignamente a população que a habita”, por outro, é preciso que “a comunidade internacional e os diversos governos saibam contrastar, de maneira eficaz, as modalidades de utilização do ambiente que sejam danosas para o mesmo” (Bento XVI – Caritas in Veritate, n. 50).
Os bispos da América Latina e Caribe, reunidos em Aparecida em 2007, já denunciavam: “com muita frequência se subordina a preservação da natureza ao desenvolvimento econômico, com danos à biodiversidade, com o esgotamento das reservas de água e de outros recursos naturais, com a contaminação do ar e a mudança climática” (V Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe – Documento de Aparecida n. 66).
O cuidado com a natureza e com a vida, que nela brota e dela depende, passa pelo reconhecimento de que é dever de todos, especialmente dos dirigentes das nações, garantir a estas e às futuras gerações a casa comum – o Planeta Terra – livre de toda destruição. Essa meta só se alcançará com a subordinação do desenvolvimento econômico à justiça social, no respeito à pessoa, à natureza e aos povos. Para tanto, é necessário que todos, especialmente os dirigentes mundiais, assumam com coragem e determinação, o compromisso de rever caminhos e decisões que, ao longo da história, só têm excluído e condenado os pobres à miséria e à morte. Para a erradicação da fome e da miséria, "não se trata de diminuir o número dos convidados para o banquete da vida, mas de aumentar a comida na mesa”, como já nos alertou o Papa Paulo VI (cf. Homilia de João Paulo II em Puebla, 1979).
A Cúpula dos Povos, organizada pela sociedade civil e realizada concomitantemente à Rio +20, tem a importante tarefa de reafirmar a responsabilidade dos dirigentes das nações pelas graves consequências de uma opção equivocada, ao subjugar o desenvolvimento econômico ao domínio do mercado e do lucro, desconsiderando tanto a natureza quanto a vida e a cultura dos povos.
A Igreja no Brasil, especialmente através da Campanha da Fraternidade, tem chamado constantemente a atenção para a destruição da natureza provocada por um desenvolvimento econômico predatório, alimentado por um sistema produtivo e um estilo de vida consumista, muitas vezes, também predatórios. As consequências são, dentre outras, o desmatamento, a contaminação e escassez da água e as mudanças climáticas. Os que mais sofrem os impactos de tudo isso são os pobres e excluídos.
É imperioso que nos eduquemos para relações novas e éticas com o meio ambiente. Esta é uma meta imprescindível da Rio +20, que não deve desviar-se de sua real e concreta finalidade.
A Rio +20 indica uma resposta a essas questões com a chamada Economia verde. Se esta, em alguma medida, significa a privatização e a mercantilização dos bens naturais, como a água, os solos, o ar, as energias e a biodiversidade, então ela é eticamente inaceitável. Não podemos nos contentar com uma roupagem nova para proteger o insaciável mercado, que só tem olhos para o lucro, configurando-se como “lobo em pele de cordeiro” ao manter inalteradas as causas estruturais da crise ambiental.
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB espera que, da Rio +20,  brote o compromisso  de construção de um “modelo de desenvolvimento alternativo, integral e solidário, baseado em uma ética que inclua a responsabilidade por uma autêntica ecologia natural e humana, que se fundamenta no evangelho da justiça, da solidariedade e do destino universal dos bens e que supere a lógica utilitarista e individualista, que não submete os poderes econômicos e tecnológicos a critérios éticos” (V Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe – Documento de Aparecida n. 474c).
Esse compromisso deve ser assumido por todos. Os cristãos, de modo especial, movidos pela solidariedade, que gera fraternidade e comunhão, são convocados a trabalhar pela preservação do meio ambiente e a colaborar na construção de uma sociedade justa, ecologicamente sustentável.
Que Deus, o Criador de todas as coisas, se digne abençoar seus filhos e filhas nesta nobre missão de “cultivar e guardar” a terra, lugar de vida para todos (cf. Gn 2,15).
Brasília, 19 de junho de 2012.

Cardeal Raymundo Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida
Presidente da CNBB

Dom José Belisário da Silva
Arcebispo de São Luís do Maranhão
Vice-Presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário Geral da CNBB

Natividade de São Joao Batista


Nesta solenidade, a Palavra de Deus apresenta-nos a figura profética de João Batista. Escolhido por Deus para ser profeta, ainda antes de nascer, ele é um “dom de Deus” ao seu Povo. Sublinhando a importância de João na história da salvação, a liturgia não deixa, contudo, de mostrar que João não é “a salvação”; ele veio, apenas, dirigir o olhar dos homens para Cristo e preparar o coração dos homens para acolher “a salvação” que estava para chegar.
A primeira leitura apresenta-nos uma misteriosa figura profética, eleita por Deus desde o seio materno, a fim de ser a “luz das nações” e levar a Palavra ao coração e à vida de todos os homens. Impressiona especialmente a centralidade que Deus assume na vida do profeta: toda a missão profética brota de Deus e sustenta-se de Deus.
Na segunda leitura, Paulo fala aos judeus de Antioquia do profeta João. Na perspectiva de Paulo, a missão de João consistiu em convidar os homens a uma mudança de vida e de mentalidade, numa espécie de primeiro passo para acolher o “Reino” que Jesus veio, depois, propor. Paulo deixa claro que João não é o Messias libertador, mas sim aquele que vem preparar o coração dos homens para acolher o Messias.
O Evangelho relata o nascimento de João. Na perspectiva de Lucas, os acontecimentos ligados ao seu nascimento mostram como o profeta João é um “dom de Deus”. Começa, nessa altura, a tornar-se claro para todos que Deus está por detrás da existência de João, e que a sua missão é ser um sinal de Deus no meio dos homens.

LEITURA I – Is 49,1-6
Leitura do Livro de Isaías
Terras de Além-Mar, escutai-me; povos de longe, prestai atenção. O Senhor chamou-me desde o ventre materno, disse o meu nome desde o seio de minha mãe. Fez da minha boca uma espada afiada, abrigou-me à sombra da sua mão. Tornou-me semelhante a uma seta aguçada, guardou-me na sua aljava. E disse-me: «Tu és o meu servo, Israel, por quem manifestarei a minha glória». E eu dizia: «Cansei-me inutilmente, em vão e por nada gastei as minhas forças». Mas o meu direito está no Senhor e a minha recompensa está no meu Deus. E agora o Senhor falou-me, Ele que me formou desde o seio materno, para fazer de mim o seu servo, a fim de Lhe restaurar as tribos de Jacob e reconduzir os sobreviventes de Israel. Eu tenho merecimento aos olhos do Senhor e Deus é a minha força. Ele disse-me então: «Não basta que sejas meu servo, para restaurares as tribos de Jacob e reconduzires os sobreviventes de Israel. Farei de ti a luz das nações, para que a minha salvação chegue até aos confins da terra».
AMBIENTE
No livro do Deutero-Isaías (um profeta que exerce o seu ministério na fase final do exílio, em meados do séc. VI a.C.), encontramos quatro poemas de autor desconhecido, que nos apresentam uma misteriosa figura de um “servo” de Javé. Trata-se de uma figura não identificada, que pode ser uma figura individual (como Jeremias, ou o próprio Deutero-Isaías) ou uma figura coletiva (representando, por exemplo, todos os profetas enviados por Deus ao seu Povo, ou o próprio Povo de Deus). De qualquer forma, os textos apresentam esta misteriosa figura profética como alguém a quem Deus chamou a testemunhar a Palavra. A missão desse “servo” tem caráter universal e realiza-se no sofrimento e no abandono à Palavra e aos projetos de Deus; mas o sofrimento desse “servo” não é em vão, e tem um significado expiatório e redentor. Do sofrimento que acompanha a missão do “servo”, resulta o perdão para o pecado do Povo. Deus aprecia o sacrifício do “servo”, recompensá-lo-á pela doação da vida, elevá-lo-á à vista de todos e fá-lo-á triunfar diante dos seus detratores e adversários. Embora se discuta a delimitação exata dos quatro cânticos do “servo de Javé”, podemos aceitar que os textos em questão são Is 42,1-9, 49,1-13, 50,4-11 e 52,13-53,12.
O texto que hoje nos é proposto é parte do segundo cântico do “servo de Javé”. É, portanto, essa figura misteriosa de “servo” de Deus, chamado à missão profética que aqui nos é apresentada.
MENSAGEM
O nosso texto apresenta-nos o relato da vocação do “servo de Javé”. Como acontece noutros relatos de vocação, o “servo” manifesta a convicção de que foi chamado por Deus desde “o seio materno” (vers. 1). Dessa forma, sugere-se que a vocação profética só pode ser entendida à luz da iniciativa divina que, desde o início da existência, “agarra” o homem e o destina para uma missão no mundo. A missão profética não é, portanto, uma iniciativa do homem ou o resultado dos méritos do homem, mas é algo que tem origem em Deus e que só se entende e faz sentido à luz de Deus. Esta certeza é o ponto de partida de toda a ação profética.
A missão a que o profeta é chamado por Deus tem a ver com a Palavra (vers. 2). O profeta é o homem a quem Deus elegeu, a fim de que a sua Palavra chegue aos outros homens; através dele, Deus dirige-nos as suas propostas e propõe aos homens um caminho que os leva a viver em relação com Deus. Essa Palavra de Deus que sai da boca do profeta não é palavra humana, mas Palavra de Deus; é por isso que o profeta diz que Deus tornou a sua boca como “uma espada afiada”, ou uma “uma seta penetrante”. É possível que as imagens utilizadas aludam à força da Palavra de Deus, que penetra nos corações e que não pode ser detida.
Na concretização da missão, o profeta experimentou a perseguição, a incompreensão, o fracasso (“foi em vão que me fatiguei, inutilmente gastei as minhas forças” – vers. 4ab). Significa isso que o profeta “andou a perder tempo” e que lamenta o seu empenhamento? Não; ele está consciente de que não perdeu nada, porque Deus não deixou de o proteger e de lhe dar a paga merecida (“o meu direito está nas mãos do Senhor, a minha recompensa está depositada no meu Deus” – vers. 4cd). Repare-se como o que é decisivo para o profeta é o ter cumprido, com fidelidade, a missão que Deus lhe confiou e a consciência de que Deus não o abandonou: se o profeta age em nome de Deus e tem o apoio de Deus, tudo o resto é secundário.
Qual foi a missão que foi confiada ao profeta? Fundamentalmente, reconduzir Jacob a Javé, reunir Israel a Deus (vers. 5). Provavelmente, faz-se aqui alusão à missão confiada aos vários profetas que Deus enviou ao seu Povo, que procuraram – às vezes inutilmente – reconduzir o Povo de Deus à órbita da aliança.
No entanto, a missão alarga-se e universaliza-se (vers. 6), agora que Israel se movimenta num cenário internacional (nesta fase, o Povo de Deus está exilado numa terra estrangeira). O que Deus vai realizar em favor de Israel será um acontecimento universal, visível para todas as nações. Da ação salvadora de Deus, brotará uma luz que iluminará todos os povos, que os fará descobrir Deus e aderir a Javé.
ATUALIZAÇÃO
Na reflexão, considerar os seguintes elementos:
• A idéia fundamental que brota deste texto é a certeza de que é Deus quem está por detrás de toda a experiência profética… É Deus quem elege o profeta e quem lhe destina uma missão, desde o seio materno; é Deus quem coloca a sua Palavra na boca do profeta; é Deus quem protege o profeta e quem a recompensa… Seria impensável falarmos em profecia, sem falarmos de Deus. Tenho consciência desta centralidade de Deus na minha vida?
• A profecia não é uma realidade reservada a pessoas especiais, mas é uma missão que brota do meu compromisso batismal. Tenho consciência de que sou chamado a ser profeta – isto é, de que sou chamado a ser Palavra viva de Deus?
• Apesar do sofrimento, das perseguições, dos fracassos, a missão do profeta é ser “luz das nações”, para que a salvação de Deus “chegue aos confins da terra”. O meu programa de vida é, verdadeiramente, ser uma luz que ilumina o mundo e que dá esperança aos homens? Os pobres, os marginalizados, os excluídos, os humildes, os explorados, os injustiçados encontram em mim o testemunho da salvação de Deus que os liberta e que os salva?
• Para que a Palavra proclamada seja Palavra de Deus, é necessário que eu viva uma relação de comunhão e de intimidade com Deus: só nesse diálogo serei impregnado da vida de Deus, me aperceberei dos projetos de Deus e poderei anunciá-los aos homens. Vivo nesta relação próxima, dialogante, com Deus? Aquilo que transmito e proclamo são Palavras de Deus, ou são as minhas palavras, os meus esquemas, os meus interesses pessoais?

SALMO RESPONSORIAL – Salmo 138
Refrão: Eu Vos dou graças, Senhor,
porque maravilhosamente me criastes.
Senhor, Vós conheceis o íntimo do meu ser:
sabeis quando me sento e quando me levanto.
De longe penetrais o meu pensamento:
Vós me vedes quando caminho e quando descanso,
Vós observais todos os meus passos.
Vós formastes as entranhas do meu corpo
e me criastes no seio de minha mãe.
Eu Vos dou graças
por me terdes feito tão maravilhosamente:
admiráveis são as vossas obras.
Vós conhecíeis já a minha alma
e nada do meu ser Vos era oculto,
quando secretamente era formado,
modelado nas profundidades da terra.

LEITURA II – Atos 13,22-26
Leitura dos Atos dos Apóstolos
Naqueles dias, Paulo falou deste modo: «Deus concedeu aos filhos de Israel David como rei, de quem deu este testemunho: ‘Encontrei David, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, que fará sempre a minha vontade’. Da sua descendência, como prometera, Deus fez nascer Jesus, o Salvador de Israel. João tinha proclamado, antes da sua vinda, um batismo de penitência a todo o povo de Israel. Prestes a terminar a sua carreira, João dizia: ‘Eu não sou quem julgais; mas depois de mim, vai chegar Alguém, a quem eu não sou digno de desatar as sandálias dos seus pés’. Irmãos, descendentes de Abraão e todos vós que temeis a Deus: a nós é que foi dirigida esta palavra de salvação».
AMBIENTE
No ano 46, Paulo e Barnabé deixaram a comunidade cristã de Antioquia da Síria e partiram por mar para anunciar Jesus no mundo helênico. Depois de terem passado em Chipre, desembarcaram em Perge, na costa meridional da Ásia Menor. Depois, dirigiram-se por terra para as cidades do interior e chegaram a Antioquia da Pisídia. Num sábado, “entraram na sinagoga da cidade” (At 13,14), a fim de participar na liturgia sinagogal. Convidado a falar, pelos chefes da sinagoga, Paulo aproveitou para anunciar Jesus à comunidade judaica aí reunida (cf. At 13,16-41). O texto que nos é proposto como segunda leitura é um pequeno excerto do discurso que, nesse contexto, Paulo pronunciou.
Trata-se do primeiro discurso posto por Lucas na boca de Paulo; contém alguns dos temas que estarão presentes de agora em diante, na sua pregação aos pagãos.
MENSAGEM
O discurso posto por Lucas na boca de Paulo consta, sobretudo, de reflexões sobre o Antigo Testamento. Faz uma rápida síntese da “história da salvação”, indicando alguns dos seus fios condutores, para mostrar que tudo converge para Jesus e que tudo culmina em Jesus.
É neste contexto que nos aparece a referência a João Baptista. Ele é apresentado como aquele que veio preparar a vinda de Jesus, propondo um batismo de conversão (a expressão grega “batisma metanoías” faz alusão a uma transformação radical das mentalidades, a fim de que a proposta do “Reino” trazida por Jesus possa encontrar acolhimento no coração e na vida de todos os homens) a todo o povo de Israel (vers. 24). João Baptista não é o Messias esperado, mas o profeta que anuncia aquele que virá a seguir e ao qual o próprio João não se sente sequer digno de “desatar as sandálias” (vers. 25). A expressão denuncia essa consciência que o profeta tem de ser apenas um simples e frágil instrumento de Deus.
Repare-se, ainda, como João se esforça por não apontar para si mesmo, mas para Cristo. A missão do profeta não é dirigir o olhar do mundo na sua própria direção, mas sim o orientar o coração dos homens para o essencial, para Deus.
ATUALIZAÇÃO
A reflexão do texto pode fazer-se a partir das seguintes indicações:
• O profeta é alguém chamado a testemunhar Deus no meio dos homens, mesmo quando os homens preferem ignorar Deus e edificar a sua vida à margem de Deus. João Baptista, o profeta, assumiu plenamente a missão de testemunhar Deus: convocou os homens para o encontro com o Deus encarnado, convidou os homens a despirem o egoísmo, o orgulho, a auto-suficiência, a violência, a ganância, e a preparar o coração para acolher a proposta de salvação que Deus veio fazer, em Jesus. Este programa não perdeu atualidade: o apelo à conversão, à revolução das mentalidades e das atitudes e o convite a acolher a libertação que Deus nos oferece continuam a fazer sentido e a ser o núcleo essencial do anúncio profético. É este o meu programa?
• O profeta é um instrumento simples, limitado e frágil, através de quem Deus age no mundo. Isto revela, por um lado, que Deus se manifesta na simplicidade e na fraqueza e que é aí que devemos procurá-l’O (Ele nunca está no poder, na riqueza, na força, na prepotência, na imposição); isto revela, por outro lado, que o profeta não tem de que se orgulhar ou envaidecer: não são as suas qualidades que são determinantes, mas sim a ação de Deus.
• O “caminho profético” não passa por concentrar em si próprio a atenção das multidões, exibir-se e receber a adoração das pessoas, ser admirado e aclamado, conseguir sucesso e aparecer nas revistas sociais, promover a imagem e tratar por tu os que mandam no mundo, exibir brilhantes qualidades e criar clubes de fãs. O profeta é o “servo” de Deus, que se esconde atrás do cenário enquanto aponta os focos para Deus e cuja função é fazer incidir em Deus os olhos dos homens… Não é o profeta que deve aparecer; mas, nele, é Deus que os homens devem encontrar.

ALELUIA – cf Lc 1,76
Aleluia. Aleluia.
Tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo,
irás à frente do Senhor a preparar os seus caminhos.

EVANGELHO – Lc 1,57-66.80
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
Naquele tempo, chegou a altura de Isabel ser mãe e deu à luz um filho. Os seus vizinhos e parentes souberam que o Senhor lhe tinha feito tão grande benefício e congratularam-se com ela. Oito dias depois, vieram circuncidar o menino e deram-lhe o nome do pai, Zacarias. Mas a mãe interveio e disse: «Não, Ele vai chamar-se João». Disseram-lhe: «Não há ninguém da tua família que tenha esse nome». Perguntaram então ao pai, por meio de sinais, como queria que o menino se chamasse. O pai pediu uma tábua e escreveu: «O seu nome é João». Todos ficaram admirados. Imediatamente se lhe abriu a boca e se lhe soltou a língua e começou a falar, bendizendo a Deus. Todos os vizinhos se encheram de temor e por toda a região montanhosa da Judéia se divulgaram estes fatos. Quantos os ouviam contar guardavam-nos em seu coração e diziam: «Quem virá a ser este menino?» Na verdade, a mão do Senhor estava com ele. O menino ia crescendo e o seu espírito fortalecia-se. E foi habitar no deserto até ao dia em que se manifestou a Israel.
AMBIENTE
O “Evangelho da Infância”, na versão de Lucas, põe em paralelo as figuras de João e de Jesus (ao anúncio do nascimento de João – cf. Lc 1,5-25 – corresponde o anúncio do nascimento de Jesus – cf. Lc 1,26-38; à história do nascimento de João – cf. Lc 1,57-80 – corresponde a história do nascimento de Jesus – cf. Lc 2,1-21). Este paralelismo serve para iluminar a relação existente entre os dois – uma relação que a reflexão eclesial foi aprofundando e ampliando desde as tradições mais antigas.
Na época em que Lucas escreve, as comunidades cristãs conhecem os discípulos de João, cuja atividade proselitista chegou à Ásia Menor (cf. At 18,24-19,7). Provavelmente, havia quem confundia João com o Messias… Neste contexto, a comunidade lucana quis deixar claro o papel relevante de João na economia da salvação mas, ao mesmo tempo, afirmar a subordinação de João a Jesus… A superioridade de Jesus em relação a João está, aliás, bem patente na diferença entre o relato do anúncio do nascimento de João e o relato do anúncio do nascimento de Jesus; está também patente no encontro de Maria com Isabel, em que a própria mãe de João proclama Maria como a mãe do seu Senhor, reconhecendo a inferioridade do seu filho em relação a Jesus (cf. Lc 1,39-45); está, ainda, patente no relevo dado pelo evangelista ao relato do nascimento de Jesus (que é longo, rico de pormenores e está carregado de teologia) em detrimento do relato do nascimento de João (que é contado em poucas linhas, sem grande riqueza de detalhes).
MENSAGEM
O relato começa com a descrição do quadro de alegria que acolheu o nascimento do filho de Zacarias e de Isabel (vers. 57-58). A alegria – um dos elementos característicos da teologia de Lucas – significa que chegaram os tempos novos, os tempos do cumprimento das promessas de Deus, o tempo da misericórdia de Deus.
Por alturas da circuncisão (no oitavo dia depois do nascimento, data legal da circuncisão, segundo Gn 17,12 e Lv 12,3), põe-se a questão do nome que irá ser dado ao menino (no Antigo Testamento, o nome é dado à nascença – cf. Gn 4,1; 21,3; 25,25-26; mas aqui aparece o costume helenista, assumido pelo judaísmo mais recente). Os vizinhos e parentes dão como adquirido que o menino se chamará como o pai. No entanto, Isabel e Zacarias escolhem um outro nome: João (sugerido pelo anjo, e quando do anúncio do nascimento do menino – cf. Lc 1,13). O nome significa literalmente “o Senhor concede graça”: o menino é um “dom de Deus” e o primeiro sinal da graça que Deus vai derramar sobre os homens, através do Messias que está para chegar. Por outro lado, o acordo da mãe e do pai sobre um nome que não era familiar aparece como divinamente inspirado.
Diante do nascimento de João, Lucas nota o espanto e o temor de todos os presentes. O espanto (vers. 63) é a reação habitual das multidões diante dos milagres (cf. Lc 8,25.56; 9,43; 11,14; Act 3,10) e de outras manifestações divinas (cf. Lc 24,12.41; At 2,7); o “temor” (vers. 65) define a atitude normal do homem diante do mistério, do transcendente, do divino (Lucas fará referência ao “temor” diante das revelações – cf. Lc 2,9; 9,34 – dos milagres – cf. Lc 5,26; 7,16; 8,25.37; 24,5.37 – e de outras intervenções divinas – cf. At 5,5.11; 19,17).
O quadro completa-se com a indicação de que, “de fato, a mão do Senhor estava com ele” (vers. 66). A expressão inspira-se no Antigo Testamento, onde serve para exprimir a proteção de Deus sobre os seus fiéis (cf. Sal 80,18; 139,5) e a sua ação sobre os profetas (cf. 1 Re 18,46; 2 Re 3,15; Ez 1,3; 3,14.22; 8,1). Aqui, significa que João tem a proteção de Deus e que Deus age nele. Tudo isto define um quadro de intervenção e de presença de Deus, mostrando que toda a existência de João se compreende à luz da iniciativa divina.
No final da leitura (vers. 80a), apresenta-se uma fórmula usada para resumir a infância de certas figuras que desempenharam papéis de referência na história do Povo de Deus (Sansão – cf. Jz 13,24-25; Samuel – cf. 1 Sm 2,26). Há também uma referência à ida de João para o deserto (vers. 80b); deserto é o lugar onde Israel fez a sua experiência de encontro com o Deus libertador, onde sentiu de forma especial o amor de Deus e onde o Povo assumiu o compromisso da aliança: é essa experiência que João vai fazer, para depois a apresentar ao seu Povo. Além disso, a referência ao deserto prepara a próxima aparição de João no Evangelho, cerca de trinta anos depois (cf. Lc 3,1-3).
No relato transparece, de forma especial, a centralidade de Deus em todo o processo. João é um “dom de Deus”, vem com uma missão de Deus e é um sinal da presença de Deus no meio do seu Povo.
ATUALIZAÇÃO
Para a reflexão, considerar as seguintes linhas:
• A história de João fala-nos, em primeiro lugar, de um Deus que ama os homens e que tem para lhes oferecer um projeto de salvação e de vida plena; é por isso que Ele inventa formas humanas de vir ao encontro dos homens, de lhes fazer chegar a sua Palavra e as suas propostas, de os questionar e interpelar com a Palavra profética… Ao celebrar esta solenidade, estamos a celebrar o Deus/amor, que se revela na figura do profeta João. Eu tenho sido sempre, para os meus irmãos, um “dom de Deus”, um sinal vivo e profético do Deus que os ama e que lhes oferece a salvação? Os “vizinhos e parentes” encontram em mim a manifestação de Deus?
• No relato do nascimento de João, transparece a centralidade de Deus na vida do profeta, desde o seio materno. O profeta é um homem de Deus, cuja vida tem origem em Deus, cuja vocação só faz sentido à luz de Deus, cujo alimento é o próprio Deus, cujas palavras são palavras de Deus. Tenho consciência de que Deus tem de estar no centro da minha vida e que a minha vocação profética só faz sentido se eu aceitar viver numa ligação “umbilical” com Deus?
• Embora os textos de hoje não refiram essa dimensão, convém, nesta solenidade, refletir acerca da forma como João Baptista viveu a sua missão profética. São particularmente questionantes o seu despojamento, a sua radicalidade, a sua entrega total à missão, a coragem com que ele enfrentou os poderosos, a sua capacidade de dar a vida para defender a verdade. Estas características fazem parte do “caminho profético”.
• No relato de Lucas, fica bem expressa a diferença entre João e Jesus… João não é a salvação; ele veio, apenas, dar testemunho da chegada iminente da salvação. O profeta precisa de ter consciência do seu papel e do seu lugar: ele não é “a luz”; a sua missão não é levar os homens a aderir à sua pessoa, mas à pessoa de Jesus. O profeta deve ter cuidado para não usurpar, nunca, o lugar de Deus.
BILHETE DE EVANGELHO.
Zacarias tinha posto em dúvida a palavra do mensageiro de Deus; esta dúvida tornou-o mudo. Porque não acolheu a mensagem de Deus, não podia anunciar qualquer mensagem. Ora, eis que Isabel, sua esposa, dá ao mundo um filho a quem dá o nome de João, mas cabe ao pai dar um nome ao seu filho. Zacarias, animado pelo Espírito de Deus, não opôs qualquer resistência, escreve o nome de João. Então, porque fez a vontade de Deus, torna-se um homem livre, livre de falar, livre de bendizer a Deus. Seríamos tentados a dizer: desde os seus oito dias, pela sua presença, aquele que será o último profeta da Antiga Aliança e o primeiro a mostrar o Messias, oferece a Deus a ocasião de manifestar a sua obra criadora e libertadora. A mão do Senhor estava com ele. Então, compreende-se a interrogação da multidão: «Quem virá a ser este menino?» A resposta será dada trinta anos mais tarde: ele será o percursor, aquele que precede o Messias que deve vir.
À ESCUTA DA PALAVRA.
«Quem virá a ser este menino?» João Baptista será o único ser humano, com a Virgem Maria e Jesus, naturalmente, de quem a Igreja celebra o nascimento terrestre. Para todos os outros santos, ela faz memória do seu “nascimento para o céu”, isto é, da sua morte. Porquê um tal privilégio para o Baptista? Porque recebeu o Espírito Santo desde o seu nascimento, quando Maria, a “cheia de graça”, veio visitar a sua prima Isabel. Ele é o maior dos profetas de Israel, porque reconheceu e designou o Messias. Isso aconteceu em toda a sua vida. Até ao fim, permanecerá fiel à sua missão de porta-voz de Deus e a sua morte será miserável. Poderia ser tentado a tomar-se por Messias. Aceitando a sua missão, João Baptista nada reivindicou para si. Viveu numa total humildade, sabendo fazer a verdade sobre si mesmo. Pôde, então, viver no amor que tem a sua fonte em Deus. Amigo do esposo, de Jesus, reconheceu que Jesus era maior do que ele. Tornou-se, assim, para nós, um exemplo na nossa caminhada de seguimento de Jesus, para que deixemos, nós também, Jesus crescer em nós. Que isso seja também a nossa alegria.
Fonte: Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)