Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Bento XVI explica as razões que o levaram a renunciar ao ministério petrino



Acolhido com um longo aplauso, Bento XVI deu início à audiência geral desta manhã de quarta-feira, 13 de fevereiro, explicando de novo as razões que o levaram a renunciar ao ministério petrino.Estas as suas palavras:
Caros irmãos e imãs,

Como sabeis, decidi renunciar ao ministério que o Senhor me confiou a 19 de abril de 2005. Fi-lo em plena liberdade, para o bem da Igreja, depois de ter rezada longamente e de ter examinado dainte de Deus a minha consciência, bem consciente da gravidade dessa ato, mas também consciente de já não estar em condições de prosseguir o ministério petrino com aquela força que ele exige. Sustenta-me e ilumina-me a certeza de que a Igreja é de Cristo, o qual nunca fará falatar a sua guia e o seu cuidado. Agradeço a todos pelo amor e pela oração com que me tendes acompanhado. Continuai a rezar pelo Papa e pela Igreja.

Muito concorrida esta audiência geral, a penúltima do pontificado (dado que na próxima semana têm lugar os Exercícios Espirituais no Vaticano). Tema da catequese, o sentido do tempo da Quaresma, que hoje inicia.Esta tarde, na basílica de São Pedro, às 17, Bento XVI preside à Eucaristia de início da Quaresma, com a imposição das Cinzas. Como explicou Padre Lombardi, a decisão de transferir para São Pedro esta celebração, em vez da tradicional basilica de Santa Sabina, se justifica pelo acrescido número de participantes que se prevê desejem participar nesta que constitui a última celebração eucarística pública presidida por Bento XVI.

Pe. Lombardi: novo Papa se sentirá apoiado pela oração de Bento XVI

O Papa está bem e muito sereno, não renunciou porque doente, mas somente por conta da fragilidade decorrente do envelhecimento: foi o que reiterou o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, na coletiva desta terça-feira, 12 de fevereiro, concedida aos jornalistas um dia após o anúncio de renúncia do Santo Padre.
Bento XVI foi recentemente submetido a uma intervenção de rotina para a substituição da bateria do marca-passo, mas isso não tem peso em sua decisão.
Pe. Lombardi confirmou todo o calendário de atividades do Papa até o dia 28 de fevereiro, último dia do Pontificado de Bento XVI, com os encontros com os bispos italianos em visita 'ad Limina', com os presidentes da Romênia e da Guatemala, os Angelus e as audiências gerais, a última destas, dia 27 de fevereiro, deverá realizar-se na Praça São Pedro em previsão de um considerável afluxo de fiéis. Não haverá a encíclica sobre a Fé.
O diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé convidou a se prestar atenção ao que o Papa dirá nos próximos dias, a partir desta Quarta-feira de Cinzas, quer na audiência geral, quer na celebração da Missa com o tradicional rito de imposição das cinzas – a ser presidida na Basílica de São Pedro.
Pe. Lombardi explicou também – como dito nesta segunda-feira pelo L'Osservatore Romano – que a viagem ao México e a Cuba constituiu para Bento XVI, por causa do cansaço, uma etapa de amadurecimento em relação à renúncia ao ministério, mas não uma decisão definitiva nesse sentido.
Em seguida, o religioso jesuíta ressaltou que não haverá nenhum problema para o sucessor de Bento XVI por causa da presença, no Vaticano, de outro Papa, embora como bispo emérito de Roma.
Conhecemos Bento XVI como uma pessoa de discrição e rigor extremos – afirmou –, não é uma pessoa da qual se possa esperar interferências ou mesmo o mínimo incômodo para o seu sucessor. O problema não existe, embora seja uma situação nova, reconheceu. Aliás, o sucessor se sentirá apoiado pela oração, pelo amor e pela participação de uma pessoa que mais do que ninguém no mundo pode entender as preocupações de quem veio depois.
Não foi dado aos jornalistas nenhum detalhe sobre como se chamará ou se vestirá o Pontífice uma vez retornado ao Vaticano, após a permanência em Castel Gandolfo: trata-se de questões a serem definidas.
O Papa deixará as suas funções, como disse, no dia 28 de fevereiro, às 20h locais, ou seja, quando ordinariamente Bento XVI encerra as suas atividades antes de retirar-se em oração, e depois repousar: será o último dia como Pontífice, vivido de modo ordinário.
Pe. Lombardi agradeceu aos jornalistas pelo trabalho realizado, pelos muitos comentários respeitosos e reflexivos que acolheram a coragem e a humildade do Papa, o seu sentido de responsabilidade, de lucidez dessa decisão histórica, e deram um sentido de participação e compreensão do modo como o Papa vive essa decisão, tomada em consciência diante de Deus, e que justamente por isso está sereno.
O porta-voz vaticano quis precisar que o arcebispo de Cracóvia, Cardeal Stanislaw Dziwisz, não quis fazer nenhuma comparação entre Bento XVI e João Paulo II, como reportado por alguns meios de comunicação, e deu um texto com as reais declarações do ex-secretário pessoal de João Paulo II, em que expressa o seu amor e a sua estima pelo Papa Ratzinger. 

Bento XVI envia mensagem aos brasileiros no início da Campanha da Fraternidade



Neste dia 13 de fevereiro, quarta-feira de Cinzas, será lançada a Campanha da Fraternidade (CF), com o tema “Fraternidade e Juventude” e o lema “Eis-me aqui, envia-me!” (Is 6,8). O Papa Bento XVI enviou uma mensagem para o início da Campanha. Eis a íntegra da mensagem.
Queridos irmãos e irmãs,
Diante de nós se abre o caminho da Quaresma, permeado de oração, penitência e caridade, que nos prepara para vivenciar e participar mais profundamente na paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo.
No Brasil, esta preparação tem encontrado um válido apoio e estímulo na Campanha da Fraternidade, que este ano chega à sua quinquagésima realização e se reveste já das tonalidades espirituais da XXVII Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro em julho próximo: daí o seu tema “Fraternidade e Juventude”, proposto pela Conferência Episcopal Nacional com a esperança de ver multiplicada nos jovens de hoje a mesma resposta que dera a Deus o profeta Isaías: “Eis-me aqui, envia-me!” (6,8).
De bom grado associo-me a esta iniciativa quaresmal da Igreja no Brasil, enviando a todos e cada um a minha cordial saudação no Senhor, a quem confio os esforços de quantos se empenham por ajudar os jovens a tornar-se – como lhes pedi em São Paulo – “protagonistas de uma sociedade mais justa e mais fraterna inspirada no Evangelho” (Discurso aos jovens brasileiros, 10/05/2007).
É que os “sinais dos tempos”, na sociedade e na Igreja, surgem também através dos jovens; menosprezar estes sinais ou não os saber discernir é perder ocasiões de renovação. Se eles forem o presente, serão também o futuro. Queremos os jovens protagonistas integrados na comunidade que os acolhe, demonstrando a confiança que a Igreja deposita em cada um deles. Isto requer guias – padres, consagrados ou leigos – que permaneçam novos por dentro, mesmo que o não sejam de idade, mas capazes de fazer caminho sem impor rumos, de empatia solidária, de dar testemunho de salvação, que a fé e o seguimento de Jesus Cristo cada dia alimentam.
Por isso, convido os jovens brasileiros a buscarem sempre mais no Evangelho de Jesus o sentido da vida, a certeza de que é através da amizade com Cristo que experimentamos o que é belo e nos redime: “Agora que isto tocou os teus lábios, tua culpa está sendo tirada, teu pecado, perdoado” (Is 6,7).
Desse encontro transformador, que desejo a cada jovem brasileiro, surge a plena disponibilidade de quem se deixa invadir por um Deus que salva: “Eis-me aqui, envia-me!’ aos meus coetâneos” - ajudando-lhes a descobrir a força e a beleza da fé no meio dos “desertos (espirituais) do mundo contemporâneo, em que se deve levar apenas o que é essencial: (…) o Evangelho e a fé da Igreja, dos quais os documentos do Concílio Vaticano II são uma expressão luminosa, assim como o é o Catecismo da Igreja Católica” (Homilia na abertura do Ano da Fé, 11/10/2012).
Que o Senhor conceda a todos a alegria de crer n’Ele, de crescer na sua amizade, de segui-Lo no caminho da vida e testemunhá-Lo em todas situações, para transmitir à geração seguinte a imensa riqueza e beleza da fé em Jesus Cristo.
Com votos de uma Quaresma frutuosa na vida de cada brasileiro, especialmente das novas gerações, sob a proteção maternal de Nossa Senhora Aparecia, a todos concedo uma especial Bênção Apostólica
Vaticano, 8 de fevereiro de 2013

Benedictus PP. XVI

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Ofício Divino das Comunidades – Quaresma e Páscoa



O Ofício das Comunidades está aos poucos chegando ao conhecimento de nossas comunidades. O Ofício Divino das Comunidades se apresenta como uma ótima oportunidade de prestarmos nosso louvor a Deus pelas maravilhas que Ele realiza em nossa vida e na vida de nossas comunidades, segundo as horas do dia. É uma oração acolhedora onde todos participam, cantam salmos e hinos e partilham a Palavra. Pode ser realizada em igrejas, capelas, comunidades urbanas ou rurais e até mesmo nas casas. Sua estrutura é simples e de fácil entendimento.
Na Arquidiocese de Mariana, muitas paróquias têm celebrado o Ofício Divino das Comunidades, com ótima aceitação, nas novenas dos(as) santos(as) padroeiros(as), geralmente bem cedo ou à tarde. Os salmos e cânticos são traduzidos numa linguagem próxima do povo, com melodias populares ajudando o fiel a celebrar o mistério de sua vida no mistério de Cristo, ou seja, as lutas por libertação, por uma sociedade menos corrupta e mais fraterna, alegrias e sofrimentos são iluminados pelo Cristo na oração celebrada pelo povo sacerdotal.
O Ofício também pode ser utilizado em encontros, retiros, reuniões pastorais, bem como por ocasião de aniversários, bodas, exéquias e outros momentos da vida das pessoas e das comunidades que levam o Povo de Deus a se reunir em oração, como sinal de sua confiança e esperança no Deus da vida. Nas vésperas das solenidades, festas e em diversos momentos do Ano Litúrgico, recomenda-se a celebração do Ofício de Vigília como “sinal da expectativa do Reino”, que nos prepara para melhor vivermos o mistério Pascal.
O Ofício Divino das Comunidades acompanha o Tempo Litúrgico. No tempo do Advento, a feliz expectativa da espera. No Natal, celebramos a humanidade do nosso Deus. No Tempo Comum, celebramos a Páscoa do Senhor, em nossa vida, na ação do Espírito Santo. Na Quaresma, somos convidados a reviver, com Jesus, a experiência do deserto. Na Páscoa, renascemos para uma vida nova, ressuscitados com Cristo e renovados pela força do seu Espírito. São ofícios cujos cantos, salmos, hinos e leituras bíblicas nos fazem perceber a grande riqueza do Ano Litúrgico. “A Santa Mãe Igreja faz questão de celebrar, em certos dias, ao longo do ano, com religiosa recordação, a ação libertadora do seu divino Esposo” (SC 102).
Diante de tudo isso, convidamos as paróquias e comunidades para fazerem esta rica e bonita experiência de consagrar ao louvor de Deus todas as horas do dia e da noite. Esta oração do povo é a oração de Jesus Cristo. “Através da Igreja, Ele continua exercendo o seu sacerdócio, não somente quando se celebra a Eucaristia, mas também de outras maneiras, especialmente quando, ao recitar-se o Ofício Divino, Ele louva ao Pai e intercede pela salvação do mundo inteiro” (SC 83).
Nesse sentido, a Comissão Arquidiocesana de Liturgia, com o apoio da Editora  Dom Viçoso, está disponibilizando para as paróquias o livro do Ofício Divino do ciclo Pascal: quaresma e páscoa.
Você encontrará neste livro, ofícios de vigília do domingo, ofícios da manhã e da tarde para os domingos e os dias da semana, do tempo da quaresma, tríduo pascal e tempo da Páscoa. O material possibilita a celebração do ofício durante a quaresma e celebrações durante a semana santa e tríduo pascal (onde não houver possibilidade de presença do padre) e uma excelente Novena de Pentecostes.
O livro contém 140 páginas. O livro do Ofício Divino para o tempo da quaresma e Páscoa estará disponível nos centros pastorais das regiões, a partir do mês de fevereiro, no valor de apenas R$ 5,00. Solicitamos às paróquias interessadas para fazerem o seu pedido no centro pastoral de sua região ou diretamente na gráfica. Cada paróquia poderá adquirir um kit com os Cds do Ofício do Tempo Quaresma e Páscoa, disponibilizado pela Comissão Arquidiocesana de Liturgia. É importante a comunidade adquirir um bom número de livros, pois assim, mais pessoas poderão acompanhar o Ofício quando este for celebrado nesse ano e nos anos vindouros.
Contamos com a participação de todas as paróquias em mais este trabalho de dinamização da Palavra de Deus em nossas comunidades, à luz da celebração dos 50 anos do Concílio Vaticano II, do Projeto Arquidiocesano de Evangelização, bem como das solicitações da última Assembleia Arquidiocesana de Pastoral.
Confira o sumário do Ciclo Pascal:
TEMPO DA QUARESMA
Domingos da quaresma – Ofício de vigília
Domingos da quaresma – Ofício da manhã
Domingos da quaresma – Ofício da tarde
Dias da semana da quaresma – Ofício da manhã
Dias da semana da quaresma – Ofício da tarde
Domingo de ramos e da paixão – Ofício de vigília
Domingo de ramos e da paixão – Ofício da manhã
Domingo de ramos e da paixão – Ofício da tarde
Dias da semana santa – Ofício da manhã
Dias da semana santa – Ofício da tarde
TRÍDUO PASCAL
Memória da Ceia do Senhor (sem padre)
Vigilância com Jesus no Horto
Sexta feira Santa – Ofício da manhã
Sexta feira Santa – Ofício do meio dia
Sexta feira Santa – Ofício da Paixão do Senhor
Sábado Santo – ofício da manhã
Sábado Santo – ofício do meio dia
Domingo da ressurreição – Vigília pascal (sem padre)
Domingo da ressurreição – Ofício da manhã
Domingo da ressurreição – Ofício da tarde
TEMPO PASCAL
Domingos do tempo pascal – Ofício de vigília
Domingos do tempo pascal – Ofício da manhã
Domingos do tempo pascal – Ofício da tarde
Dias da semana do tempo pascal – Ofício da manhã
Dias da semana do tempo pascal  – Ofício da tarde
Domingo da ascensão do Senhor – Ofício de vigília
Domingo da ascensão do Senhor – Ofício da manhã
Domingo da ascensão do senhor – Ofício da tarde
Novena de Pentecostes – Ofício da manhã
Novena de Pentecostes – Ofício da tarde
Domingo de pentecostes – Ofício de vigília
Domingo de pentecostes – Ofício da manhã
Domingo de pentecostes – Ofício da tarde
Mariana, 26 de janeiro de 2013Comissão Arquidiocesana de Liturgia / Gráfica e Editora Dom Viçoso

Pastoral da Juventude lança pesquisa para traçar o perfil da juventude da Arquidiocese de Mariana



A frente de intervenção sociopolítica da Pastoral da Juventude (PJ) da Arquidiocese de Mariana está iniciando uma pesquisa que visa conhecer o perfil de atuação social da juventude em suas comunidades. A pesquisa é voltada para os jovens que residem no território compreendido pela Arquidiocese de Mariana e será feita por intermédio da internet.
Segundo a equipe idealizadora, a pesquisa foi pensada para ajudar a trabalhar um dos desafios levantados na última assembleia da PJ, ocorrida em 2011. O desafio em questão trata-se da atuação social da juventude na Igreja e na sociedade. Abaixo você confere a carta explicativa da pesquisa.
Clique aqui para participar da pesquisa.
À juventude da Arquidiocese de Mariana, Paz e bem!
No ano de 2010 foi realizada a 9ª Assembleia Arquidiocesana da Pastoral da Juventude (Nona) com o tema “Pastoral da Juventude: Caminho e Missão”. Nessa assembleia refletimos sobre as conquistas, as lutas cotidianas e as ações a serem tomadas em favor da juventude.
Sabemos que o período juvenil é uma época de desafios, onde devemos escolher se seremos apenas vítimas das dificuldades da vida ou seres transformadores da realidade. Um dos desafios discutidos na Nona foi a atuação social dos jovens em nossa Arquidiocese, seja ela nas pastorais ou conselhos da igreja, nas instâncias de controle do poder público, nas ONG’s, nas organizações de cultura e arte ou demais formas de organização coletiva.
Enfim, como anda nossa vida comunitária enquanto jovens? Para responder a esta pergunta precisamos nos conhecer. Quem somos, onde e com quem moramos? Como e onde nos informamos? Como nos relacionamos com as pessoas e com o ambiente? Como lemos, criticamos e intervimos em nossa realidade? Observar estes e outros elementos nos ajuda nesta tarefa.
Dessa forma, com o objetivo de traçar o perfil dos jovens de nossa realidade, a Frente de Intervenção Sociopolítica da Pastoral da Juventude da Arquidiocese de Mariana elaborou um questionário para a juventude e convida você, jovem, a ser um colaborador para definirmos o nosso rosto. Através deste vamos nos aprofundar no paradoxo entre o que somos e o que podemos ser individual e coletivamente.
O filósofo grego Sócrates dizia que uma vida não examinada não vale a pena ser vivida. Observando esta máxima tenhamos a certeza de que o exame da nossa realidade não a torna melhor ou pior, mas apenas a descobre, conhece e nos informa.  E a descoberta, o conhecimento e a informação é o que pode dar forma mais sólida e segura, nos levar muito mais além.
Frente Sociopolítica da Pastoral da Juventude Arquidiocese de Mariana
Fonte: Agência de Notícias da Pastoral da Juventude
Arquidiocese de Mariana

5º Domingo do Tempo Comum – Ano C – 10/02/2013

        

  A liturgia deste domingo leva-nos a refletir sobre a nossa vocação: somos todos chamados por Deus e d’Ele recebemos uma missão para o mundo.
Na primeira leitura, encontramos a descrição plástica do chamamento de um profeta – Isaías. De uma forma simples e questionadora, apresenta-se o modelo de um homem que é sensível aos apelos de Deus e que tem a coragem de aceitar ser enviado.
No Evangelho, Lucas apresenta um grupo de discípulos que partilharam a barca com Jesus, que acolheram as propostas de Jesus, que souberam reconhecê-l’O como seu “Senhor”, que aceitaram o convite para ser “pescadores de homens” e que deixaram tudo para seguir Jesus… Neste quadro, reconhecemos o caminho que os cristãos são chamados a percorrer.
A segunda leitura propõe-nos refletir sobre a ressurreição: trata-se de uma realidade que deve dar forma à vida do discípulo e levá-lo a enfrentar sem medo as forças da injustiça e da morte. Com a sua ação libertadora – que continua a ação de Jesus e que renova os homens e o mundo – o discípulo sabe que está a dar testemunho da ressurreição de Cristo.

LEITURA I – Is 6,1-2a.3-8

Leitura do Livro de Isaías

No ano em que morreu Ozias, rei de Judá, vi o Senhor, sentado num trono alto e sublime; a fímbria do seu manto enchia o templo. À sua volta estavam serafins de pé, que tinham seis asas cada um e clamavam alternadamente, dizendo: «Santo, santo, santo é o Senhor do Universo. A sua glória enche toda a terra!» Com estes brados as portas oscilavam nos seus gonzos e o templo enchia-se de fumo. Então exclamei: «Ai de mim, que estou perdido, porque sou um homem de lábios impuros, moro no meio de um povo de lábios impuros e os meus olhos viram o Rei, Senhor do Universo». Um dos serafins voou ao meu encontro, tendo na mão um carvão ardente que tirara do altar com uma tenaz. Tocou-me com ele na boca e disse-me: «Isto tocou os teus lábios: desapareceu o teu pecado, foi perdoada a tua culpa». Ouvi então a voz do Senhor, que dizia: «Quem enviarei? Quem irá por nós?» Eu respondi: «Eis-me aqui: podeis enviar-me».

AMBIENTE

Estamos em Jerusalém, por volta de 740/739 a.C.. Isaías tem, então, à volta de vinte anos. Enquanto está no Templo em oração, descobre que Deus o chama a ser profeta. O texto de hoje relata-nos essa descoberta e a resposta de Isaías. No entanto, este relato não deve ser visto como uma reportagem jornalística de acontecimentos, mas sim como uma apresentação teológica de uma experiência interior de vocação.
Os pormenores folclóricos – o trono alto e sublime em que o Senhor Se senta, o seu manto que enche o Templo, os “serafins” com seis asas que voam sem cessar à volta e que cobrem a face e os pés, o oscilar das portas nos seus gonzos, o fumo – são elementos simbólicos com que o profeta desenha a grandeza, a onipotência e a magnificência de Deus. É essa a perspectiva que o profeta tem do Deus que o chamou.

MENSAGEM

Nesta catequese sobre a experiência de vocação, encontramos vários passos. Vamos resumi-los brevemente.
Em primeiro lugar (vers. 1-5), Isaías deixa claro que a sua vocação é obra de Javé, o Deus majestoso e santo, infinitamente acima do mundo e distante da realidade pecadora em que os homens vivem mergulhados. Os elementos literários típicos das teofanias (o temor, a voz forte, o fumo) definem o quadro típico das manifestações de Deus no Antigo Testamento: foi esse Deus que se manifestou a Isaías e que o convocou para o seu serviço.
Em segundo lugar (vers. 6-7), temos a objeção e a purificação. A objeção do profeta é um elemento típico dos relatos de vocação (cf. Ex 3,11, no chamamento de Moisés). Manifesta o sentimento de um homem que, chamado por Deus a uma missão, tem consciência dos seus limites e da sua indignidade, ou prefere continuar no seu cantinho cômodo, sem se comprometer. A “purificação” sugere que a indignidade e a limitação não são impeditivos para a missão: a eleição divina dá ao profeta autoridade, apesar dos seus limites bem humanos.
Em terceiro lugar, temos a aceitação da missão pelo profeta. Convém, a propósito, notar o seguinte: Isaías oferece-se sem saber ainda qual a missão que lhe vai ser confiada; manifesta, dessa forma, a sua disponibilidade absoluta para o serviço de Deus. Temos, aqui, descrito o caminho da verdadeira vocação.

ATUALIZAÇÃO

Nesta reflexão sobre a “vocação”, considerar as seguintes questões:

• Cada um de nós tem a sua história de vocação: de muitas formas Deus entra na nossa vida, desafia-nos para a missão, pede uma resposta positiva à sua proposta. Temos consciência de que Deus nos chama – às vezes de formas bem banais? Estamos atentos aos sinais que Ele semeia na nossa vida e através dos quais Ele nos diz, dia a dia, o que quer de nós?

• A missão que Deus propõe está, frequentemente, associada a dificuldades, a sofrimentos, a conflitos, a confrontos… Por isso, é um caminho de cruz que, às vezes, procuramos evitar. Será que eu consigo vencer o comodismo e a preguiça que me impedem de concretizar a missão?

• É preciso ter consciência, também, que as minhas limitações e indignidades muito humanas não podem servir de desculpa para realizar a missão que Deus quer confiar-me: se Ele me pede um serviço, dar-me-á a força para superar os meus limites e para cumprir o que Ele me pede.

• Isaías aceita o envio, ainda antes de saber, em concreto, qual é a missão. É o exemplo de quem arrisca tudo e se dispõe, de forma absoluta, para o serviço de Deus. No entanto, é difícil arriscar tudo, sem cálculos nem garantias: é o pôr em causa os nossos projetos e esquemas para confiar apenas em Deus, de forma que Ele possa fazer de nós o que quiser. Qual a minha atitude em relação a isto?
SALMO RESPONSORIAL – Salmo 137 (138)

Refrão: Na presença dos Anjos,
eu Vos louvarei, Senhor.

De todo o coração, Senhor, eu Vos dou graças,
porque ouvistes as palavras da minha boca.
Na presença dos Anjos Vos hei-de cantar
e Vos adorarei, voltado para o vosso templo santo.

Hei-de louvar o vosso nome pela vossa bondade e fidelidade,
porque exaltastes acima de tudo o vosso nome e a vossa promessa.
Quando Vos invoquei, me respondestes,
aumentastes a fortaleza da minha alma.

Todos os reis da terra Vos hão-de louvar, Senhor,
quando ouvirem as palavras da vossa boca.
Celebrarão os caminhos do Senhor,
porque é grande a glória do Senhor.

A vossa mão direita me salvará,
o Senhor completará o que em meu auxílio começou.
Senhor, a vossa bondade é eterna,
não abandoneis a obra das vossas mãos.
LEITURA II – 1 Cor 15,1-11

Leitura da Primeira Epístola do apóstolo São Paulo aos Coríntios

Recordo-vos, irmãos, o Evangelho que vos anunciei e que recebestes, no qual permaneceis e pelo qual sereis salvos, se o conservais como eu vo-lo anunciei; aliás teríeis abraçado a fé em vão. Transmiti-vos em primeiro lugar o que eu mesmo recebi: Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras; foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras, e apareceu a Pedro e depois aos Doze. Em seguida apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma só vez, dos quais a maior parte ainda vive, enquanto alguns já faleceram. Posteriormente apareceu a Tiago e depois a todos os Apóstolos. Em último lugar, apareceu-me também a mim, como o abortivo. Porque eu sou o menor dos Apóstolos e não sou digno de ser chamado Apóstolo, por ter perseguido a Igreja de Deus. Mas pela graça de Deus sou aquilo que sou e a graça que Ele me deu não foi inútil. Pelo contrário, tenho trabalhado mais que todos eles, não eu, mas a graça de Deus, que está comigo. Por conseguinte, tanto eu como eles, é assim que pregamos; e foi assim que vós acreditastes.

AMBIENTE

A chegada do cristianismo ao mundo grego provocou um choque de mentalidades e de perspectivas culturais. Isso ficou bem evidente na dificuldade dos coríntios em aceitar a ressurreição dos mortos.
A ressurreição dos mortos era relativamente bem aceite no judaísmo, habituado a ver o homem na sua unidade; mas constituía um problema sério para a mentalidade grega. Porquê? Porque a cultura grega, fortemente influenciada por filosofias dualistas (como a filosofia de Platão, por esta altura na moda) que viam no corpo uma realidade negativa e na alma uma realidade ideal e nobre, recusava-se a aceitar a ressurreição do homem integral. Como poderia o corpo – essa realidade material, carnal, sensual, que aprisionava a alma e a impedia de subir ao mundo ideal, na opinião dos filósofos gregos – seguir a alma?
É a esta questão posta pelos Coríntios que Paulo vai responder neste texto.

MENSAGEM

A argumentação de Paulo é simples e contundente: nós, cristãos, ressuscitaremos um dia, porque Cristo já ressuscitou.
O texto começa com a evocação de uma fórmula da catequese primitiva sobre esta questão. Paulo não está a inventar: está a transmitir com absoluta fidelidade a catequese que recebeu.
A fórmula paulina, que é ao mesmo tempo reflexo e modelo da primitiva pregação cristã acerca da ressurreição, estrutura-se em três tempos: afirmação do fato (morte/ressurreição), testemunho da Sagrada Escritura, comprovação experimental do mesmo (sepultura/aparições). A comprovação do fato resulta dos outros dois elementos.
No que diz respeito ao testemunho das escrituras, Paulo não cita diretamente nenhum texto da Sagrada Escritura em favor da sua tese; mas podemos pensar que Paulo está a referir-se a Is 53,8-12 (o quarto poema do Servo de Javé) e a Os 6,2. No que diz respeito às testemunhas da ressurreição de Jesus, Paulo cita seis manifestações de Jesus ressuscitado: a Pedro, aos Doze, a mais de quinhentos irmãos, a Tiago, aos outros apóstolos e, finalmente, ao próprio Paulo.
Notemos que os apóstolos (Paulo incluído) não testemunharam o momento da ressurreição, mas a experiência de um Jesus que continuou vivo depois da morte. O ressuscitado fez-se presente na vida destes homens e, como tal, converteu-se em objeto de pregação e de fé. Portanto, ao falar da ressurreição de Jesus, não estamos a falar de um “fato histórico”, entendendo por “fato histórico” aquele de que qualquer pessoa pode relatar os pormenores. A ressurreição de Cristo é um fato real, mas ao mesmo tempo sobrenatural e meta-histórico, algo que ultrapassa completamente as categorias humanas de espaço e de tempo, a fim de entrar na órbita da fé. É algo que a ciência histórica não pode demonstrar, porque corresponde a uma experiência de fé. O que, historicamente, podemos comprovar, é a incrível transformação dos discípulos que, de homens cheios de medo, de frustração e de cobardia, se converteram em arautos destemidos de Jesus, vivo e ressuscitado.
Além do mais, a ressurreição é um fato que ocorreu, mas que continua a ocorrer; continua a ter a eficácia primitiva, continua a ser capaz de converter em homens novos, a quantos aceitam Jesus pela fé. A comunidade cristã é convidada a fazer esta descoberta, a partir das Escrituras, do Espírito e da própria vida nova que continuamente vai nascendo nos cristãos.

ATUALIZAÇÃO

Na reflexão deste texto, considerar as seguintes questões:

• Será um dado adquirido, para qualquer cristão, a ressurreição de Jesus. No entanto, essa ressurreição é, para nós, uma verdade abstrata que afirmamos no credo, ou algo vivo e dinâmico, que todos os dias continua a acontecer na nossa vida e na nossa história, gerando vida nova, libertação, amor, numa contínua manifestação de Primavera para nós e para o mundo?

• A ressurreição de Cristo garante-nos que não há morte para quem aceita fazer da sua vida uma luta pela justiça, pela verdade, pelo projeto de Deus. Temos consciência disso? A certeza da ressurreição encoraja-nos a lutar, sem a paralisia que vem do medo, por um mundo mais justo, mais fraterno, mais humano?
ALELUIA – Mt 4,19

Aleluia. Aleluia.

Vinde comigo, diz o Senhor,
e farei de vós pescadores de homens.
EVANGELHO – Lc 5,1-11

Evangelho de Nosso senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, estava a multidão aglomerada em volta de Jesus, para ouvir a palavra de Deus. Ele encontrava-Se na margem do lago de Genesaré e viu dois barcos estacionados no lago. Os pescadores tinham deixado os barcos e estavam a lavar as redes. Jesus subiu para um barco, que era de Simão, e pediu-lhe que se afastasse um pouco da terra. Depois sentou-Se e do barco pôs-Se a ensinar a multidão. Quando acabou de falar, disse a Simão: «Faz-te ao largo e lançai as redes para a pesca». Respondeu-Lhe Simão: «Mestre, andamos na faina toda a noite e não apanhamos nada. Mas, já que o dizes, lançarei as redes». Eles assim fizeram e apanharam tão grande quantidade de peixes que as redes começavam a romper-se. Fizeram sinal aos companheiros que estavam no outro barco para os virem ajudar; eles vieram e encheram ambos os barcos de tal modo que quase se afundavam. Ao ver o sucedido, Simão Pedro lançou-se aos pés de Jesus e disse-Lhe: «Senhor, afasta-Te de mim, que sou um homem pecador». Na verdade, o temor tinha-se apoderado dele e de todos os seus companheiros, por causa da pesca realizada. Isto mesmo sucedeu a Tiago e a João, filhos de Zebedeu, que eram companheiros de Simão. Jesus disse a Simão: «Não temas. Daqui em diante serás pescador de homens». Tendo conduzido os barcos para terra, eles deixaram tudo e seguiram Jesus.

AMBIENTE

Estamos na Galileia, no início do ministério de Jesus. Há algum tempo, Ele apresentou o seu programa na sinagoga de Nazaré como anúncio da Boa Nova aos pobres e proposição da libertação para os prisioneiros… Agora, começam a notar-se os primeiros resultados da atividade de Jesus: à sua volta começa a formar-se o grupo dos que foram sensíveis a essa proposta de salvação e seguiram Jesus.

MENSAGEM

O texto que nos é proposto como Evangelho é uma catequese que procura apresentar as coordenadas fundamentais da identidade cristã: o que é ser cristão? Como se segue Jesus? O que é que implica seguir Jesus?
Ser cristão é, em primeiro lugar, estar com Jesus “no mesmo barco” (vers. 3). É desse barco (a comunidade cristã), que a Palavra de Jesus se dirige ao mundo, propondo a todos a libertação (“pôs-Se a ensinar, da barca, a multidão”).
Ser cristão é, em segundo lugar, escutar a proposta de Jesus, fazer o que Ele diz, cumprir as suas indicações, lançar as redes ao mar (vers. 4-5). Às vezes, as propostas de Jesus podem parecer ilógicas, incoerentes, ridículas (e quantas vezes o parecem, face aos esquemas e valores do mundo…); mas é preciso confiar incondicionalmente, entregar-se nas mãos d’Ele e cumprir à risca as suas indicações (“porque Tu o dizes, lançarei as redes” – vers. 5).
Ser cristão é, em terceiro lugar, reconhecer Jesus como “o Senhor” (vers. 8): é o que faz Pedro, ao perceber como a proposta de Jesus gera vida e fecundidade para todos. O título “Senhor” (em grego, “kyrios”) é o título que a comunidade cristã primitiva dá a Jesus ressuscitado, reconhecendo n’Ele o “Senhor” que preside ao mundo e à história.
Ser cristão é, em quarto lugar, aceitar a missão que Jesus propõe: ser pescador de homens (vers. 10). Para entendermos o verdadeiro significado da expressão, temos de recordar o que significava o “mar” no ideário judaico: era o lugar dos monstros, onde residiam os espíritos e as forças demoníacas que procuravam roubar a vida e a felicidade do homem. Dizer que os seus discípulos vão ser “pescadores de homens” significa que a missão do cristão é continuar a obra libertadora de Jesus em favor do homem, procurando libertar o homem de tudo aquilo que lhe rouba a vida e a felicidade. Trata-se de salvar o homem de morrer afogado no mar da opressão, do egoísmo, do sofrimento, do medo – as forças demoníacas que impedem a felicidade do homem.
Ser cristão é, finalmente, deixar tudo e seguir Jesus (vers. 11). Esta alusão ao desprendimento do discípulo é típica de Lucas (cf. Lc 5,28;12,33;18,22): Lucas expressa, desta forma, que a generosidade e o dom total devem ser sinais distintivos das comunidades e dos crentes que seguem Jesus.
Uma palavra, ainda, para o papel proeminente que Pedro aqui desempenha: a comunidade lucana é uma comunidade estruturada, que reconhece em Pedro o “porta-voz” de todos e o principal animador dessa comunidade de Jesus que navega nos mares da história.

ATUALIZAÇÃO

Considerar os seguintes dados:

• A reflexão deste texto deve pôr em paralelo o “caminho cristão”, tal como Lucas o descreve aqui, com esse caminho – às vezes não tão cristão como isso – que vamos percorrendo todos os dias. Considerar as seguintes questões:

• O nosso caminho é feito no barco de Jesus, ou, às vezes, embarcamos noutros projetos onde Jesus não está e fazemos deles o objetivo da nossa vida? Por outro lado, deixamos que Jesus viaje conosco ou, às vezes, obrigamo-l’O a desembarcar e continuamos viagem sem Ele?

• Ao longo da viagem, somos sensíveis às palavras e propostas de Jesus? As suas indicações são para nós sinais obrigatórios a seguir, ou fazem mais sentido para nós os valores e a lógica do mundo?

• Reconhecemos, de fato, que Jesus é o “Senhor” que preside à nossa história e à nossa vida? Ele é o centro à volta do qual constituímos a nossa existência, ou deixamos que outros “senhores” nos manipulem e dominem?

• Chamados a ser “pescadores de homens”, temos por missão combater o mal, a injustiça, o egoísmo, a miséria, tudo o que impede os homens nossos irmãos de viver com dignidade e de ser felizes. É essa a nossa luta? Sentimos que continuamos, dessa forma, o projeto libertador de Jesus?

• A nossa entrega é total, ou parcial e calculada? Deixamos tudo na praia para seguir Jesus, porque o seu projeto se tornou a prioridade da nossa vida?

BILHETE DE EVANGELHO.
Estes pescadores tinham, sem dúvida, ouvido falar de Jesus. O seu ensinamento parecia ter autoridade, mas não era um homem do Lago. Não era Ele que ia dar lições a estes três pescadores experimentados. Então, que se passou? Ele devia inspirar confiança, para que Simão lhe emprestasse a sua barca, fazendo dela lugar de pregação e, mais ainda, para que este mesmo Simão obedecesse à sua ordem, uma ordem insensata: lançar novamente as redes, quando a pesca tinha sido infrutífera toda a noite. Diante da prodigalidade da pesca, Simão lança-se aos pés daquele que reconhece como mestre, enquanto ele mesmo se reconhece como homem pecador. Jesus faz um segundo sinal, um segundo milagre: vai fazer de Pedro um outro homem. De pescador de peixes torna-se pescador de homens, torna-se um homem cheio de confiança. Deixando tudo, como Tiago e João, segue Jesus!

À ESCUTA DA PALAVRA.
Pedro era um pescador profissional. Conhecia o seu ofício. Aquele dia era um dia “não”, um dia de pesca infrutífera. E chega Jesus, carpinteiro, a dizer-lhe o que fazer, para lançar as redes. A primeira atitude de Simão é, naturalmente, de hesitação. Apesar de tudo, manifesta uma atitude de confiança, ao lançar as redes. A palavra e a personalidade de Jesus inspiraram-lhe alguma confiança. Segundo Lucas, Pedro já tinha tido ocasião para experimentar a presença de Jesus junto da sua sogra, doente com febre. A pesca é verdadeiramente milagrosa. Humanamente, não seria possível! Pedro e os companheiros admitem que este jovem rabino tem poderes sobre-humanos. Pelo menos, é um profeta, um enviado de Deus. Mas para Pedro ficam interrogações: a presença de Deus não acontece no Templo, em Jerusalém, onde são necessários ritos de purificação para se aproximar d’Ele? Daí o grito de Pedro: “afasta-Te de mim, que sou um homem pecador!” Em Jesus, Deus sai do Templo, de todos os templos. Vem caminhar na estrada dos homens. Vem ao encontro dos homens, os mais pequenos, os pescadores e pecadores, independentemente de qualquer purificação. Será isso o mundo ao contrário? Certamente! Jesus vem colocar o mundo face a Deus, numa relação de amor que suprime todas as barreiras e que suscita infinita confiança. Isso continua a ser verdade hoje!

Bispos do Brasil refletem sobre os 50 anos do Vaticano II


Nesta terça-feira, 5 de fevereiro, teve início o primeiro ciclo de palestras do Curso dos Bispos, oferecido pela Arquidiocese do Rio de Janeiro. A edição de 2013 deste tradicional encontro, realizado no Centro de Estudos e Formação do Sumaré, dará continuidade aos temas abordados nos anos anteriores e terá como foco principal "Cinquenta anos após o Concílio Vaticano II - Liturgia, Missões e Leigos".
A manhã começou com Missa presidida pelo Núncio Apostólico do Brasil, Dom Guiovanni d'Aniello e logo em seguida, o primeiro conferencista, Prefeito da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, Cardeal Antônio Cañizare iniciou a palestra sobre as renovações Litúrgicas do Concílio Vaticano II. O Cardeal destacou, entre outros aspectos a liturgia como a celebração do mistério de Cristo. Nela está o ponto de chegada de todas as ações da Igreja e também o de partida.
Dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues, Arcebispo de Sorocaba, SP, destacou como principal ponto da palestra a participação na liturgia:
— Na Liturgia a Igreja se expressa, ela expressa os seus mistérios e se alimenta de seus mistérios. Me chamou muito a atenção na palestra quando o Cardeal chamou a atenção para a ideia da participação na liturgia que não pode consistir em uma mera criatividade, de ações, de funções, de novidades, mas a participação deve se dar a partir de uma compreensão profunda do mistério celebrado, afirmou.

Com 117 participantes inscritos, o Curso dos Bispos é promovido com a finalidade de proporcionar um momento de partilha e convivência entre o episcopado brasileiro. Ao longo destas 22 edições, o Curso dos Bispos já contou com diversos conferencistas, entre eles, o Papa Bento XVI, quando este ainda era Cardeal. Segundo Dom Giovanni d'Aniello o curso é um momento de comunhão:

— É uma alegria ter chegado aqui para participar deste curso de bispos e não é pela primeira vez para mim. Já participei anteriormente, mas este ano é a primeira vez que participo como Núncio. E o que sinto agora é a mesma coisa que nos anos anteriores. Este é um momento de confraternização, um momento de amizade com os bispos, com aqueles que participam do mesmo sentido eclesial, que querem dar testemunho desta unidade entre eles e, sobretudo, da unidade com a Igreja inteira, com a Igreja Universal. (...) Então, esse é um momento muito importante porque o bispo se encontra, se conhece melhor, fala-se de um mesmo assunto. É um momento precioso, então para mim é uma alegria vir e testemunhar essa participação, esta unidade e esta comunhão, disse.

Já no final da manhã, o presidente do Pontifício Conselho para os Leigos, Cardeal Stanislaw Rylko, segundo expositor do dia, proferiu sua palestra de tema "O Bispo: mestre, guia e formador". A palestra abordou o papel do leigo na sociedade e como o Bispo deve estimular o testemunho e a participação do laicato dentro da Igreja. Para o conferencista um dos grandes dons do Concílio Vaticano II está a descoberta da beleza do laicato:
— O Papa João Paulo II repetia sempre que a Igreja atual devia muito ao Concilio Vaticano II. E por em prática os ensinamentos do Concilio, assimilar a sua doutrina, é o seu único modo de "pagar" essa dívida para com o Concílio. E um dos grandes dons do Concílio Vaticano II é a descoberta da grandeza, da beleza do papel do apostolado dos leigos nos tempos de hoje. No tempo do Concílio se dizia que tinha se iniciado a "era do laicato" na Igreja e essa era dura até os nossos tempos. Penso que aqui na America Latina o empenho do laicato é particularmente forte, contou.
Segundo o Cardeal Arcebispo Emérito de São Salvador, Dom Geraldo Majella Agnelo afirmou que a palestra foi esclarecedora e objetiva:
— Esta Conferência foi muito oportuna, muito precisa e objetiva. Eu creio que aquilo que o Cardeal numerou: as qualidades características do leigo, todas elas são importantes. Eu creio que se deixar de lado uma característica não seria completo. É um cuidado maior para o ministério episcopal não deixar se omitir na formação do leigo e dar o sentido de que o leigo tem que ser um testemunho. Não pode haver só bons pregadores, mas sobretudo devemos ter bons testemunhos, opinou.
Após o almoço houve um momento de diálogo com os conferencistas e em seguida, Cardeal Antônio Cañizare proferiu a terceira conferência do dia. Nesta palestra, o Cardeal falou sobre o "novo movimento litúrgico hoje". Nesta sua abordagem, o Cardeal esclareceu sobre a natureza deste novo movimento

Dom Orani abre no Sumaré o 22º Curso para Bispos dos Brasil



Na noite desta segunda-feira, 4 de fevereiro, o Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta, abriu oficialmente a 22ª edição do Curso Anual dos Bispos do Brasil, no Centro de Estudos e Formação do Sumaré, no Rio Comprido.
Juntamente com o Arcebispo na mesa de abertura estiveram presentes: o presidente do Pontifício Conselho para os Leigos, Cardeal Stanislaw Rylko; o prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Cardeal Antônio Cañizares; o bispo de Noto, na Itália, Dom Antônio Staglianò, e o Arcebispo Emérito de São Salvador, Cardeal Geraldo Majella Agnelo.

— Esse já é o 22º Curso dos Bispos que nós realizamos e temos mais de 100 bispos inscritos que recebemos com muita alegria. Eles irão passar esses dias conosco escutando textos, palestras e conferências de pessoas especializadas em temas ligados ao Concílio Vaticano II. Nós estamos comemorando os 50 anos do Concílio e a cada ano temos trabalhado alguns desses temas, neste ano falaremos sobre liturgia, sobre os leigos e também sobre a nova evangelização, destacando que na questão dos leigos abordaremos também o papel da mulher na Igreja e na sociedade. Creio que a cada ano nós temos trabalhado os temas que motivaram os documentos do Concílio e, além disso, creio ainda que é uma oportunidade de encontro dos bispos para poderem compartilhar as preocupações de como aprofundar e trabalhar ainda mais esses documentos e temas do Concílio Vaticano II nos dias de hoje. Que sejam bem vindos todos os nossos irmãos bispos, com muita alegria a nossa Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro os recebe e os acolhe, afirmou Dom Orani.

Com 117 participantes inscritos, o tradicional curso organizado pela primeira vez em 1990 pelo então Arcebispo, Cardeal Dom Eugenio Sales, dará continuidade aos assuntos abordados em 2011 e 2012 tendo como tema principal os “Cinquenta anos após o Concílio Vaticano II - Liturgia, Missões e Leigos”. Promovido com a finalidade de proporcionar um momento de partilha e convivência entre o episcopado brasileiro, em sua primeira edição o Curso Anual dos Bispos do Brasil teve como conferencista o então Cardeal Joseph Ratzinger, hoje Papa Bento XVI.
Neste ano, entre os palestrantes, estão: o presidente do Pontifício Conselho para os Leigos, Cardeal Stanislaw Rylko; o prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Cardeal Antônio Cañizares; Dom Antônio Staglianò, bispo de Noto (Itália) e colaborador de Dom Rino Fisichella (presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização); e Ana Cristina Villa Betancourt, membro do Pontifício Conselho para os Leigos, responsável pela seção dedicada à mulher.

O bispo auxiliar emérito da Arquidiocese do Rio, Dom Karl Josef Romer, conduziu a abertura do curso e ressaltou que esta é a primeira vez que a formação será realizada sem a presença de seu idealizador, o Cardeal Dom Eugenio Sales, que retornou para a casa do Pai há 6 meses.
— Quero destacar que esta é a primeira vez que nosso encontro é realizado com Dom Eugenio Sales já na presença de Deus Pai. Vamos colocar a memória dele nas Santas Missas e creio que com sorriso paternal ele está na casa do Pai vendo seus irmãos aqui reunidos. Com certeza neste momento ele se alegra por ter nesta Arquidiocese que ele guiou durante 30 anos esse pastor que é Dom Orani. Com isso, quero recomendar a oração de todos por Dom Eugenio e que ele reze por nós, disse Dom Romer.
Já os bispos auxiliares da Arquidiocese, Dom Luiz Henrique da Silva Brito e Dom Roque Costa Souza falaram sobre a expectativa de pela primeira vez estarem participando do curso.

— A expectativa são as melhores possíveis, pois só em ter esse contato com os bispos de maior experiência no tempo de dedicação no episcopado já nos enche de alegria. Ter essa convivência de poder ouvir da parte deles toda essa dedicação e esse trabalho ao Reino de Deus serve como um incentivo para nós. Tudo é novo para mim nesse aspecto, então, com certeza, estou muito feliz e é uma grande alegria poder participar desse curso, contou Dom Luiz Henrique.
— Eu sempre acompanhei o curso dos bispos através do trabalho desenvolvido pelo seminário ou buscando os bispos como padre, mas nunca estivesse presente ao curso. Essa é uma primeira vez que me causa muita expectativa, pois desejo conhecer também os bispos do nosso grande Brasil que fazem parte das várias dioceses e arquidioceses tornando esse conhecimento muito válido. O conteúdo apresentado também é muito importante porque a cada ano traz aos bispos uma novidade de profundidade a respeito da teologia e da pastoral, destacou Dom Roque.

Pertencente a mesma congregação de Dom Orani – Ordem Cisterciense –, o Dom Abade Paulo Celso Demartini, da Abadia de Nossa Senhora de São Bernardo, também participa do curso dos bispos pela primeira vez à convite do Arcebispo do Rio.
— Embora este curso seja sempre para bispos eu venho como simples abade de onde Dom Orani também era o abade, São José do Rio Pardo (SP). Ele me convidou e é uma grande expectativa participar deste momento porque os temas abordados sobre a liturgia, sobre a questão das novas comunidades, sobre a função da mulher na Igreja vão ser de grande luz nessa perspectiva do Ano da Fé e da Jornada Mundial da Juventude (JMJ Rio2013), logo, trago a Dom Orani dos seus conterrâneos rio-pardenses toda a sorte de graças e bençãos, disse Dom Abade Paulo Celso.

Além das conferências realizadas no Centro de Estudos e Formação do Sumaré, na próxima quarta-feira, dia 6 de fevereiro, os bispos do Brasil visitarão a exposição “A Sagrada Família – artes barroca e popular brasileiras –, no Centro Cultural dos Correios, e a Basílica da Imaculada Conceição, em Botafogo, onde estão as relíquias da Serva de Deus, Odette Vidal de Oliveira (Odetinha).