Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Mais de 2 mil jovens participam do DNJ 2012 em Porto Firme


Com o tema “Juventude e vida” e lema “Que vida vale a pena ser vivida?”, a Pastoral da Juventude da Arquidiocese de Mariana realizou no ultimo domingo, 28, mais um Dia Nacional da Juventude (DNJ). Nesse ano, a cidade de Porto Firme (Região Mariana Centro) acolheu o encontro, que acontece a cada três anos.
Por volta das 6 horas chegavam os primeiros ônibus trazendo jovens animados para participarem do DNJ. Houve uma concentração em frente à Igreja Matriz, onde foi servido o café da manhã. Em seguida, por volta das 9 horas, iniciou-se uma caminha pelas ruas da cidade com a Cruz e o Ícone de Nossa Senhora, símbolos arquidiocesanos da Jornada Mundial da Juventude, que andam em peregrinação por toda a arquidiocese e foram trazidos pelos jovens da cidade de Mercês (Região Mariana Sul).
Chegando ao espaço previsto para acontecer o encontro, após uma hora de caminhada, houve a Missa da Juventude presidida pelo assessor arquidiocesano da PJ, padre Wander Torres Costa, com a participação dos padres José Afonso, vigário episcopal da Região Centro; José Maria da Silva, assessor da PJ da Região Oeste; Luiz Martins, vigário paroquial da paróquia São João Batista, em Matipó e Werques Ribeiro, administrador paroquial da paróquia Nossa Senhora da Conceição, de Porto Firme.
Na parte da tarde aconteceram as rodas de conversa onde os jovens tiveram a oportunidade de debaterem os seguintes temas: Mobilização social e participação juvenil; Juventude e mídia: a juventude a consome ou é consumida por ela?; Mobilização juvenil em defesa de seus direitos; Juventude e trabalho: trabalho para a vida!; Questões de gênero e violência contra a mulher; Juventude educação: formação para a cidadania!; Qualidade de vida da juventude e cuidado com a saúde (bem viver); Juventude e sustentabilidade: que sociedade temos e que sociedade queremos?; Diversidade juvenil: tribos e diferentes realidades da juventude; Artes urbanas: hip hop, grafite, cultura funk, etc; Campanha de doação de sangue e cadastramento de medula óssea; Somos Igreja jovem: conhecendo um pouco mais sobre a PJ; Transformando o mundo: projetos nacionais da PJ e um pouco sobre a Teologia da Libertação.
Um show musical encerrou as atividades do dia.



Papa Bento XVI divulga mensagem para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado


A Sala de Imprensa da Santa Sé divulgou na manhã de sexta-feira, 26 de outubro, a Mensagem de Bento XVI para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado de 2013. O tema da Mensagem é: “Migrações: peregrinação de fé e de esperança”.
Leia a seguir a íntegra da Mensagem.
Queridos irmãos e irmãs!
Na Constituição pastoral Gaudium et spes, o Concílio Ecuménico Vaticano II recordou que «a Igreja caminha juntamente com toda a humanidade» (n. 40), pelo que «as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração» (ibid., 1). Na linha destas afirmações, o Servo de Deus Paulo VI designou a Igreja como sendo «perita em humanidade» (Enc. Populorum progressio, 13), e o Beato João Paulo II escreveu que a pessoa humana é «o primeiro caminho que a Igreja deve percorrer na realização da sua missão (…), caminho traçado pelo próprio Cristo» (Enc. Centesimus annus, 53). Na esteira dos meus Predecessores, quis especificar –na Encíclica Caritas in veritate – que «a Igreja inteira, em todo o seu ser e agir, quando anuncia, celebra e atua na caridade, tende a promover o desenvolvimento integral do homem» (n. 11), referindo-me também aos milhões de homens e mulheres que, por diversas razões, vivem a experiência da emigração. Na verdade, os fluxos migratórios são «um fenómeno impressionante pela quantidade de pessoas envolvidas, pelas problemáticas sociais, económicas, políticas, culturais e religiosas que levanta, pelos desafios dramáticos que coloca à comunidade nacional e internacional» (ibid., 62), porque «todo o migrante é uma pessoa humana e, enquanto tal, possui direitos fundamentais inalienáveis que hão-de ser respeitados por todos em qualquer situação» (ibidem).
Neste contexto, em concomitância com as celebrações do cinquentenário da abertura do Concílio Ecuménico Vaticano II e do sexagésimo aniversário da promulgação da Constituição apostólica Exsul familia e quando toda a Igreja está comprometida na vivência do Ano da Fé abraçando com entusiasmo o desafio da nova evangelização, quis dedicar a Jornada Mundial do Migrante e do Refugiado de 2013 ao tema «Migrações: peregrinação de fé e de esperança».
Na realidade, fé e esperança formam um binómio indivisível no coração de muitos migrantes, dado que neles existe o desejo de uma vida melhor, frequentemente unido ao intento de ultrapassar o «desespero» de um futuro impossível de construir. Ao mesmo tempo, muitos encetam a viagem animados por uma profunda confiança de que Deus não abandona as suas criaturas e de que tal conforto torna mais suportáveis as feridas do desenraizamento e da separação, talvez com a recôndita esperança de um futuro regresso à terra de origem. Por isso, fé e esperança enchem muitas vezes a bagagem daqueles que emigram, cientes de que, com elas, «podemos enfrentar o nosso tempo presente: o presente, ainda que custoso, pode ser vivido e aceite, se levar a uma meta e se pudermos estar seguros desta meta, se esta meta for tão grande que justifique a canseira do caminho» (Enc. Spe salvi, 1).
No vasto campo das migrações, a solicitude materna da Igreja estende-se em diversas direções. Por um lado a sua solicitude contempla as migrações sob o perfil dominante da pobreza e do sofrimento que muitas vezes produz dramas e tragédias, intervindo lá com ações concretas de socorro que visam resolver as numerosas emergências, graças à generosa dedicação de indivíduos e de grupos, associações de voluntariado e movimentos, organismos paroquiais e diocesanos, em colaboração com todas as pessoas de boa vontade. E, por outro, a Igreja não deixa de evidenciar também os aspectos positivos, as potencialidades de bem e os recursos de que as migrações são portadoras; e, nesta direção, ganham corpo as intervenções de acolhimento que favorecem e acompanham uma inserção integral dos migrantes, requerentes de asilo e refugiados no novo contexto sociocultural, sem descuidar a dimensão religiosa, essencial para a vida de cada pessoa. Ora a Igreja, pela própria missão que lhe foi confiada por Cristo, é chamada a prestar particular atenção e solicitude precisamente a esta dimensão: ela constitui o seu dever mais importante e específico. Visto que os fiéis cristãos provêm das várias partes do mundo, a solicitude pela dimensão religiosa engloba também o diálogo ecuménico e a atenção às novas comunidades; ao passo que, para os fiéis católicos, se traduz, entre outras coisas, na criação de novas estruturas pastorais e na valorização dos diversos ritos, até se chegar à plena participação na vida da comunidade eclesial local. Entretanto, a promoção humana caminha lado a lado com a comunhão espiritual, que abre os caminhos «a uma autêntica e renovada conversão ao Senhor, único Salvador do mundo» (Carta ap. Porta fidei, 6). É sempre um dom precioso tudo aquilo que a Igreja proporciona visando conduzir ao encontro de Cristo, que abre para uma esperança sólida e credível.
A Igreja e as diversas realidades que nela se inspiram são chamadas a evitar o risco do mero assistencialismo na sua relação com os migrantes e refugiados, procurando favorecer a autêntica integração numa sociedade onde todos sejam membros activos e responsáveis pelo bem-estar do outro, prestando generosamente as suas contribuições originais, com pleno direito de cidadania e participação nos mesmos direitos e deveres. Aqueles que emigram trazem consigo sentimentos de confiança e de esperança que animam e alentam a procura de melhores oportunidades de vida; mas eles não procuram apenas a melhoria da sua condição económica, social ou política. É verdade que a viagem migratória muitas vezes inicia com o medo, sobretudo quando perseguições e violências obrigam a fugir, com o trauma de abandonar os familiares e os bens que, em certa medida, asseguravam a sobrevivência; e, todavia, o sofrimento, as enormes perdas e às vezes um sentido de alienação diante do futuro incerto não destroem o sonho de reconstruir, com esperança e coragem, a vida num país estrangeiro. Na verdade, aqueles que emigram nutrem a confiança de encontrar acolhimento, obter ajuda solidária e entrar em contato com pessoas que, compreendendo as contrariedades e a tragédia dos seus semelhantes e também reconhecendo os valores e recursos de que eles são portadores, estejam dispostas a compartilhar humanidade e bens materiais com quem é necessitado e desfavorecido. Na realidade, é preciso reafirmar que «a solidariedade universal é para nós um facto e um benefício, mas também um dever» (Enc. Caritas in veritate, 43). E assim, a par das dificuldades, os migrantes e refugiados podem experimentar também relações novas e hospitaleiras que os encorajem a contribuir para o bem-estar dos países de chegada com suas competências profissionais, o seu património sociocultural e também com o seu testemunho de fé, que muitas vezes dá impulso às comunidades de antiga tradição cristã, encoraja a encontrar Cristo e convida a conhecer a Igreja.
É verdade que cada Estado tem o direito de regular os fluxos migratórios e implementar políticas ditadas pelas exigências gerais do bem comum, mas assegurando sempre o respeito pela dignidade de cada pessoa. O direito que a pessoa tem de emigrar – como recorda o número 65 da Constituição conciliar Gaudium et spes – conta-se entre os direitos humanos fundamentais, com faculdade de cada um se estabelecer onde crê mais oportuno para uma melhor realização das suas capacidades e aspirações e dos seus projetos. No contexto sociopolítico atual, porém, ainda antes do direito a emigrar há que reafirmar o direito a não emigrar, isto é, a ter condições para permanecer na própria terra, podendo repetir, com o Beato João Paulo II, que «o direito primeiro do homem é viver na própria pátria. Este direito, entretanto, só se torna efetivo se se têm sob controle os fatores que impelem à emigração (Discurso ao IV Congresso Mundial das Migrações, 9 de Outubro de 1998). De facto, hoje vemos que muitas migrações são consequência da precariedade económica, da carência dos bens essenciais, de calamidades naturais, de guerras e desordens sociais. Então emigrar, em vez de uma peregrinação animada pela confiança, pela fé e a esperança, torna-se um «calvário» de sobrevivência, onde homens e mulheres resultam mais vítimas do que autores e responsáveis das suas vicissitudes de migrante. Assim, enquanto há migrantes que alcançam uma boa posição e vivem com dignidade e adequada integração num ambiente de acolhimento, existem muitos outros que vivem em condições de marginalidade e, por vezes, de exploração e privação dos direitos humanos fundamentais, ou até assumem comportamentos danosos para a sociedade onde vivem. O caminho da integração compreende direitos e deveres, solicitude e cuidado pelos migrantes para que levem uma vida decorosa, mas supõe também a atenção dos migrantes aos valores que lhes proporciona a sociedade onde se inserem.
A este respeito, não podemos esquecer a questão da imigração ilegal, que se torna ainda mais impelente nos casos em que esta se configura como tráfico e exploração de pessoas, com maior risco para as mulheres e crianças. Tais delitos hão-de ser decididamente condenados e punidos, ao mesmo tempo que uma gestão regulamentada dos fluxos migratórios – que não se reduza ao encerramento hermético das fronteiras, ao agravamento das sanções contra os ilegais e à adopção de medidas que desencorajem novos ingressos – poderia pelo menos limitar o perigo de muitos migrantes acabarem vítimas dos referidos tráficos. Na verdade, hoje mais do que nunca são oportunas intervenções orgânicas e multilaterais para o desenvolvimento dos países de origem, medidas eficazes para erradicar o tráfico de pessoas, programas orgânicos dos fluxos de entrada legal, maior disponibilidade para considerar os casos individuais que requerem intervenções de proteção humanitária bem como de asilo político. As normativas adequadas devem estar associadas com uma paciente e constante ação de formação da mentalidade e das consciências. Em tudo isto, é importante reforçar e desenvolver as relações de bom entendimento e cooperação entre realidades eclesiais e institucionais que estão ao serviço do desenvolvimento integral da pessoa humana. Na perspectiva cristã, o compromisso social e humanitário recebe força da fidelidade ao Evangelho, com a consciência de que «aquele que segue Cristo, o homem perfeito, torna-se mais homem» (Gaudium et spes, 41).
Queridos irmãos e irmãs migrantes, oxalá esta Jornada Mundial vos ajude a renovar a confiança e a esperança no Senhor, que está sempre junto de vós! Não percais ocasião de encontrá-Lo e reconhecer o seu rosto nos gestos de bondade que recebeis ao longo da vossa peregrinação de migrantes. Alegrai-vos porque o Senhor está ao vosso lado e, com Ele, podereis superar obstáculos e dificuldades, valorizando os testemunhos de abertura e acolhimento que muitos vos oferecem. Na verdade, «a vida é como uma viagem no mar da história, com frequência enevoada e tempestuosa, uma viagem na qual perscrutamos os astros que nos indicam a rota. As verdadeiras estrelas da nossa vida são as pessoas que souberam viver com retidão. Elas são luzes de esperança. Certamente, Jesus Cristo é a luz por antonomásia, o sol erguido sobre todas as trevas da história. Mas, para chegar até Ele, precisamos também de luzes vizinhas, de pessoas que dão luz recebida da luz d’Ele e oferecem, assim, orientação para a nossa travessia» (Enc. Spe salvi, 49). Confio cada um de vós à Bem-aventurada Virgem Maria, sinal de consolação e segura esperança, «estrela do caminho», que nos acompanha com a sua materna presença em cada momento da vida, e, com afeto, a todos concedo a Bênção Apostólica.

Vaticano, 12 de Outubro de 2012.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Bento XVI: "A Nova Evangelização diz respeito a toda a vida da Igreja"


Bento XVI presidiu, neste domingo, 28 de outubro, na Basílica de São Pedro, a celebração eucarística de encerramento da 13ª Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos.
Em sua homilia, o Papa se deteve sobre a cura do cego Bartimeu que ocupa uma posição significativa na estrutura do Evangelho de Marcos, itinerário de fé que se desenvolve gradualmente na escola de Jesus.
A condição de cegueira tem um significado denso nos Evangelhos. Representa o homem que tem necessidade da luz de Deus, a luz da fé, para conhecer verdadeiramente a realidade e caminhar pela estrada da vida. "Bartimeu não é cego de nascença, mas perdeu a vista: é o homem que perdeu a luz e está ciente disso, mas não perdeu a esperança. Num de seus escritos, Santo Agostinho interpreta Bartimeu como pessoa decaída duma condição de grande prosperidade e nos convida a refletir sobre o fato de que há riquezas preciosas na nossa vida que podemos perder e que não são materiais" – frisou Bento XVI.
Vídeo da celebração
"Nesta perspectiva, Bartimeu poderia representar aqueles que vivem em regiões de antiga evangelização, onde a luz da fé se debilitou, e se afastaram de Deus. São pessoas que deste modo perderam uma grande riqueza, decaíram duma alta dignidade – não econômica ou de poder terreno, mas a dignidade cristã –, perderam a orientação segura e firme da vida e tornaram-se, muitas vezes inconscientemente, mendigos no sentido da existência" - acrescentou o Pontífice.
O Papa destacou que "são muitas as pessoas que precisam de uma nova evangelização, ou seja, de um novo encontro com Jesus, o Cristo, o Filho de Deus, que pode voltar a abrir os seus olhos e ensinar-lhes a estrada. A nova evangelização diz respeito a toda a vida da Igreja. Refere-se, em primeiro lugar, à pastoral ordinária que deve ser mais animada pelo fogo do Espírito a fim de incendiar os corações dos fiéis que frequentam regularmente a comunidade reunindo-se no dia do Senhor para se alimentarem de sua Palavra e do Pão de vida eterna."
Bento XVI então sublinhou três linhas pastorais que emergiram do Sínodo. "A primeira diz respeito aos Sacramentos da iniciação cristã. Foi reafirmada a necessidade de acompanhar, com uma catequese adequada, a preparação para o Batismo, a Confirmação e a Eucaristia; e reiterou-se também a importância da Penitência, sacramento da misericórdia de Deus. É através deste itinerário sacramental que passa o chamado do Senhor à santidade, dirigido a todos os cristãos."
A segunda é que "a nova evangelização está essencialmente ligada à missão ad gentes. A Igreja tem o dever de evangelizar, de anunciar a mensagem da salvação aos homens que ainda não conhecem Jesus Cristo". O Papa recordou que durante as reflexões sinodais, foi sublinhado que existem lugares na África, Ásia e Oceânia, onde os habitantes esperam com expectativa o primeiro anúncio do Evangelho. "Por isso, é preciso pedir ao Espírito Santo que suscite na Igreja um renovado dinamismo missionário, cujos protagonistas sejam, de modo especial, os agentes pastorais e os fiéis leigos. A globalização provocou um notável deslocamento de populações, pelo que se impõe a necessidade do primeiro anúncio também nos países de antiga evangelização" – frisou o Papa.
O terceiro aspecto diz respeito às pessoas batizadas que, porém, não vivem as exigências do Batismo. "Durante os trabalhos sinodais, foi posto em evidência que estas pessoas se encontram em todos os continentes, especialmente nos países secularizados. A Igreja dedica-lhes uma atenção especial, para que encontrem de novo Jesus Cristo, redescubram a alegria da fé e voltem à prática religiosa na comunidade dos fiéis. Para além dos métodos tradicionais de pastoral, sempre válidos, a Igreja procura lançar mão de novos métodos, valendo-se também de novas linguagens, apropriadas às diversas culturas do mundo, para implementar um diálogo de simpatia e amizade que se fundamenta em Deus que é Amor."
Voltando à figura do cego Bartimeu, curado por Jesus, Bento XVI concluiu a homilia dizendo: "Assim são os novos evangelizadores: pessoas que fizeram a experiência de ser curadas por Deus, através de Jesus Cristo".

Bento XVI concede à Matriz do Pilar o título de Basílica


Dom Geraldo Lyrio Rocha, nosso Arcebispo, trouxe, por telefone, na manhã do dia 27 de outubro, a alegre notícia para a Arquidiocese de Mariana, especialmente para a Comunidade Católica de Ouro Preto, da acolhida, em Roma, pela Secretaria para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, do pedido arquidiocesano para que a Matriz de Nossa Senhora do Pilar, de Ouro Preto, no ano celebrativo dos 300 anos, fosse elevada à dignidade de Basílica Menor, distinguindo nossa Igreja Particular de Mariana com tamanha graça e bênção de Deus.
Seja esta distinção para o louvor do Santíssimo Redentor, para a glória de Deus, e do santo nome da Virgem Maria, invocada como Padroeira Pontifícia de Ouro Preto, Nossa Senhora do Pilar. Ao receber o título de Basílica Menor, a Matriz de N. Sra. Pilar se une mais estreitamente à Roma, às suas basílicas, como a Basílica de Santa Maria Maior, e com isso estará vinculada diretamente ao Papa. Essa associação ao Papa estará presente em um dos símbolos da Basílica, a Umbrela que ficará no presbitério juntamente com as insígnias pontifícias.
Agradecemos a todos – pessoas, grupos e instituições que abraçaram esta causa. De modo particular a dom Geraldo, nosso estimado arcebispo, que muito se empenhou. Foi ele quem comunicou ao povo de Ouro Preto esta intenção, quando presidiu a celebração do dia principal das festividades pelos 300 anos da Paróquia do Pilar, em 15 de agosto próximo passado. Foi ele quem dirigiu este pedido à Igreja e quem levou, pessoalmente, a Roma, por ocasião do Sínodo da Igreja, um volumoso processo, com farto material histórico e pastoral do Pilar, em resposta às solicitações da Secretaria da Igreja, no Vaticano.
Nosso povo ouropretano esteve piedosamente elevando suas preces a Deus, nesses três últimos meses, pedindo esta graça que alimenta em nós a espiritualidade mariana que nos remete a Jesus Cristo, seu Filho, nosso Redentor e que nos compromete eclesialmente, ainda mais, na vivência do discipulado missionário, na construção do Reino de Deus.
Compartilhamos, de especial modo, esta alegria e bênção com as comunidades paroquiais da cidade e do município de Ouro Preto, na pessoa dos irmãos sacerdotes, nossos amigos e companheiros na missão, e do bom povo destas comunidades, irmanados na fé, celebrando Nossa Senhora do Pilar, como Mãe e Padroeira.
Desde já, por orientação de dom Geraldo, convidamos toda a arquidiocese para as celebrações da dedicação da Matriz do Pilar e sua oficialização como Basílica, marcadas para o dia 01 de dezembro, sábado, às 19h, durante a visita pastoral do arcebispo à nossa Paróquia. Por feliz coincidência, nesse dia, celebramos, in memoriam, os 54 anos de ministério presbiteral do Cônego José Feliciano da Costa Simões que por 46 anos esteve à frente da Paróquia como o seu zeloso pároco. Também nos alegramos porque, nesse dia, dom Francisco Barroso Filho, filho ilustre de Ouro Preto, também rende louvores a Deus pelos seus 55 anos de ministério presbiteral.
Nesse domingo, dia 28 de outubro, festa de São Simão e São Judas Tadeu, apóstolos de Jesus, conclamamos nossas Igrejas de Ouro Preto a repicarem os sinos, às 12h, em sinal de alegria, gratidão e louvor a Deus por esta graça em favor da Igreja e de seu povo, especialmente para a nossa tricentenária Vila Rica de Ouro Preto.
Demos graças ao Senhor, eterno é seu Amor!
Pela Comunidade Paroquial do Pilar,

Pe. Marcelo Moreira Santiago – Pároco
Pe. Danival Milagres Coelho – Vigário Paroquial
Cônego Jadir Trindade Lemos – Vigário Paroquial

Arquidiocese lança novo subsídio de formação “A Palavra de Deus na Liturgia – Vol. II”


Considerando que o Projeto Arquidiocesano de Evangelização (PAE), que, para o ano de 2012, no eixo da formação apresenta a comunidade de fé centrada na Palavra e, posteriormente, a comunidade eucarística, geradora de comunhão, a Comissão litúrgica trabalhou neste ano de 2012 a formação no eixo da Palavra, acolhendo as contribuições da Dei Verbum.
Nesse sentido, concluindo os trabalhos da Comissão de Liturgia neste ano de 2012, ela faz chegar às paróquias, em sintonia com as orientações do CAP, o segundo volume da coleção: Celebrando o Cristo na vida do povo – A Palavra de Deus na Liturgia. Com isso implementa-se o trabalho de formação em vista do aperfeiçoamento ou criação de um corpo ministerial competente, especialmente no anúncio da Palavra na Liturgia.
Os destinatários deste material são as equipes de liturgia paroquiais, bem como todas as pessoas que, nas igrejas, exercem o ministério de leitor ou salmista, e também para as pessoas que se encaminham para assumir este ministério em sua comunidade.
Este segundo volume é composto de seis capítulos que podem ser estudados mensalmente, na reunião paroquial de liturgia, bem como nas comunidades e também  nas reuniões mensais onde já existe o ministério da Palavra ou se pretende criá-lo. Cada paróquia tem a liberdade de utilizá-lo da melhor forma.
Tendo o formato do mesmo volume anterior, com 70 páginas, o volume 2 trabalha os seguintes temas:
Apresentação:
Dom Geraldo Lyrio Rocha
Celebração da Palavra por ministros leigos:
Pe. Geraldo Dias Buziani
Ritualidade da proclamação da Palavra de Deus na Celebração litúrgica:
Pe. Luiz Claudio Vieira
A homilia: Palavra de Deus refletida e partilhada em comunidade:
Mons. Celso Murilo
A Oração universal ou dos fiéis: Palavra que se torna prece:
Pe. Geovane Luis da Silva
Ofício divino das Comunidades:
Vânia Lúcia dos Santos
Ministérios: o que são e para que servem?
No ano seguinte, será trabalhada a temática da comunidade eucarística, geradora de comunhão e servidora do povo de Deus, apresentando as contribuições da Sacrosanctum Concilium, por ocasião dos seus 50 anos de promulgação e em continuidade com a formação para o Ministério da Palavra.
A Comissão Arquidiocesana de Liturgia solicita às paróquias interessadas em adquirir o subsídio que entrem em contato com a secretária regional, até 30 de outubro. Ainda segunda a Comissão, será impresso na Gráfica e Editora Dom Viçoso apenas o número exato de livros pedidos.
Fonte: Comissão Arquidiocesana de Liturgia

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Sínodo: O que o espírito diz à Igreja?


Terminada a 2ª. semana de trabalhos da 13ª Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, sobre a "_nova evangelização para a transmissão da fé cristã_", já é possível perceber os rumos do caminho da Igreja nos próximos anos.
O fruto do trabalho realizado pela Assembleia sinodal será agora traduzido numa Mensagem e nas propostas finais, que serão entregues ao Papa; foi ele que convocou o Sínodo para ouvir os bispos e demais participantes sobre o tema em pauta, sobre o qual ele fará, depois, a Exortação pós-sinodal.
Uma primeira constatação é que há uma urgente necessidade de uma nova evangelização, não apenas porque há tantos fatores novos e desafiadores postos à missão da Igreja, mas porque, exatamente, a missão primeira da Igreja é evangelizar e ela deve fazê-lo, proclamando o Evangelho de forma renovada para o mundo mudado. Não podemos pressupor que todos já estejam evangelizados, nem que o mundo inteiro já foi iluminado pela Boa Nova de Cristo. Vamos evangelizar de novo, pois esta é nossa missão; e temos algo de muito precioso para anunciar e compartilhar com os homens do nosso tempo!
A nova evangelização deve levar em conta a diversidade das situações em que se encontram as pessoas em relação à fé cristã: há quem crê e pratica a fé, mas precisa ser estimulado a crescer, a perseverar e a realizar as obras da fé; há quem foi batizado mas nunca foi evangelizado, ou apenas superficialmente, necessitando de um forte anúncio querigmático e de um itinerário de formação e amadurecimento na fé; e há os que estão distantes da fé cristã e da Igreja de Cristo, necessitando do primeiro anúncio e do conseqüente itinerário de crescimento e  amadurecimento na fé cristã. Isso requer uma revisão nos métodos de evangelização e pastoral - uma verdadeira "conversão pastoral".
Na evangelização, temos que contar sempre com a graça de Deus, que tem a primeira iniciativa e vem ao encontro do homem; por isso, a evangelização não depende tanto de métodos e recursos técnicos em profusão, quanto de evangelizadores santos, que tenham uma profunda experiência de Deus e vivam em comunhão com Ele. Muitas foram as observações dos Padres Sinodais sobre a necessidade da boa formação, amor à Igreja e ardor missionário da parte dos evangelizadores. Diversas vezes também foi observado que o exemplo dos santos pode ser de grande ajuda para a nova evangelização: eles foram sempre os evangelizadores mais eficazes ao longo da História, sobretudo em períodos de crise na Igreja. No domingo das missões, dia 21 de outubro, o Papa Bento XVI proclamou mais 7 santos da Igreja e lembrou a vida e a obra dos santos, como fatos de evangelização.
Lugar de destaque na nova evangelização devem ter a Liturgia, fonte e cume de toda ação da Igreja, especialmente a Eucaristia dominical; o anúncio abundante da Palavra de Deus, com destaque para a homilia e a catequese; o Sacramento da Penitência deverá ser valorizado mais, assim como as devoções e a religiosidade popular, mediante as quais a fé é cultivada e transmitida. Destacada foi a referência à paróquia, como expressão concreta e indispensável da comunidade de fé, espaço para a evangelização, as manifestações da vida eclesial e da comunhão na mesma fé, esperança e caridade. As pequenas comunidades, nas suas múltiplas formas, foram apontadas como importantes expressões de vida eclesial e lugares para o cultivo e a transmissão eficaz da fé cristã.
O Sínodo trata com sereno realismo da atual situação da transmissão da fé, mas também com esperança; o primeiro interessado no anúncio da Boa Nova é sempre o Espírito Santo, que também vai indicando à Igreja os modos como ela o deve fazer sempre de novo. Mais do que nunca, devemos ouvir hoje o que o Espírito diz à Igreja (cf Ap 2,29).

Dom Odilo Pedro Scherer
Arcebispo de São Paulo - SP

Família e vida social


Já não se ouve com a mesma intensidade aquele refrão que repetiu, por décadas, um veredito a respeito do fim da família. De sociólogos a outros tantos especialistas de diferentes áreas, há uma convicção incontestável de que a família tem centralidade e uma importância determinante na vida de cada pessoa.
 É um grande ganho fortalecer esse entendimento. A família é o lugar primário da humanização de cada um e da sociedade, um berço de vida e amor.
Nenhum lugar é tão favorável para o conhecimento e a experiência de Deus. Na família, a fé é transmitida pelo amor. Os limites conhecidos e experimentados não obscurecem ou invalidam esta força própria, até mágica e não palpável, que a família, como escola de amor, exerce na tarefa educativa. A Igreja Católica, em parceria com muitos segmentos da sociedade civil, considera a família como a primeira sociedade natural, titular de direitos próprios e originários. É fácil constatar o lugar central que é dado à família na vida social. Excluir ou deslocá-la desse lugar é correr o sério risco de causar um grave dano ao crescimento do corpo social inteiro.
Para compreender melhor a centralidade da família, é preciso compreender, à luz da Doutrina Social da Igreja, que essa instituição “nasce da íntima comunhão de vida e de amor, fundada no matrimônio entre um homem e uma mulher, com dimensão social própria e originária, lugar primário de relações interpessoais, instituição divina colocada como fundamento da vida das pessoas e como molde de todo ordenamento social”. Não se pode desprezar a força que cada família agrega nos avanços sociais e na consciência política, bem como na experiência indispensável da fé em Deus. Não se pode ignorar, deixar de aprofundar e de refletir sobre a indiscutível importância da família para a pessoa.
Há um ambiente de vida criado pelo dom recíproco de um homem e uma mulher, chamados a viver como compromisso de amor. Este é o ambiente indispensável para que a criança desenvolva suas potencialidades e torne-se consciente de sua dignidade - o dom mais precioso para cada pessoa. Além disso, esta consciência sustenta a cidadania, que articula relações sociais e políticas dando à sociedade as condições necessárias para ser solidária e fraterna. Perdida esta consciência, ou mal formada, desvios de todo tipo podem sacrificar o caminho e os destinos da humanidade.
A sociabilidade humana, aprendida e experimentada na família, é determinante na sustentação da sociedade, do tecido de sua cultura. Esta sociabilidade é indispensável porque contribui de modo único para o bem comum. Por isso, a família deve ser prioridade. No horizonte dessa rica compreensão é que se discute a inoportuna equiparação legislativa entre família e uniões de fato. Esta equivalência está na contramão do modelo de família que não pode reduzir-se a uma precária relação entre pessoas. O debate público contemporâneo se defronta com o ideal de família que compreende a união permanente, originada pelo pacto entre um homem e uma mulher, fundado sobre uma escolha recíproca e livre. Uma escolha que implica a plena comunhão conjugal orientada para a procriação.
Pensando a tarefa educativa própria da família, é oportuno relacioná-la sempre com a vida econômica e com o trabalho. A família, quando protagonista da vida econômica, ensina a importância da partilha e da solidariedade entre as pessoas. De modo particular, é decisiva na formação profissional. A sociedade ganha quando a família faz do cidadão um trabalhador incansável, engajado na promoção do bem. Em se considerando a necessidade de avanços culturais e econômicos, a família precisa contribuir, sobretudo, com a educação para o sentido do trabalho, ajudar na oferta de orientações. A família tem, pois, um papel determinante no desenvolvimento integral humano, garantindo a qualificação da vida social.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte - MG