Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Papa se despede de cardeais



Na manhã desta quinta-feira, dia 28, o papa Bento XVI teve um encontro com os membros do Colégio dos Cardeais, renovou seu compromisso de permanecer unido a todos, pediu que permaneçam em oração e declarou, solenemente, incondicionada reverência e obediência ao futuro papa.
Assim como o cardeal Sodano, o papa também citou a experiência dos discípulos de Emaús, afirmando que também para ele foi uma alegria caminhar em companhia dos cardeais nesses anos na luz da presença do Senhor ressuscitado.
Como disse ontem diante de milhares de fiéis que lotavam a Praça São Pedro, a solidariedade e o conselho do Colégio foram de grande ajuda no seu ministério. “Nesses oito anos, vivemos com fé momentos belíssimos de luz radiosa no caminho da Igreja, junto a momentos em que algumas nuvens se adensaram no céu. Buscamos servir Cristo e a sua Igreja com amor profundo e total. Doamos a esperança que nos vem de Cristo e que é a única capaz de iluminar o caminho. Juntos, podemos agradecer ao Senhor que nos fez crescer na comunhão. Juntos, podemos pedir para que nos ajude a crescer ainda nessa unidade profunda, de modo que o Colégio dos Cardeais seja como uma orquestra, onde as diversidades, expressão da Igreja universal, concorrem à superior e concorde harmonia.
Aos cardeais, o papa expressou “um pensamento simples” sobre a Igreja e sobre o seu mistério, que constitui para todos nós a razão e a paixão da vida, escrita por Romano Guardini. Ou seja, de que a Igreja não é uma instituição excogitada, mas uma realidade viva. Ela vive do decorrer do tempo, transformando-se, mas em sua natureza permanece sempre a mesma. O seu coração é Cristo.
“Parece que esta foi a nossa experiência ontem na Praça. Ver que a Igreja é um corpo vivo, animado pelo Espírito Santo, e vive realmente da força de Deus. Ela está no mundo, apesar de não ser do mundo. É de Deus, de Cristo, do Espírito Santo e nós o vimos ontem. Por isso é verdadeira e eloquente a outra famosa expressão de Guardini:
A Igreja se desperta no ânimo das pessoas. A Igreja vive, cresce e se desperta nos ânimos que, como a Virgem Maria, acolhem a palavra de Deus e a concebem por obra do Espírito Santo. Oferecem a Deus a própria carne e o próprio trabalho em sua pobreza e humildade, se tornando capazes de gerar Cristo hoje no mundo”.
Através da Igreja, disse o papa, “o mistério da encarnação permanece presente sempre. E fez um apelo aos Cardeais:
Permaneçamos unidos, queridos irmãos, neste mistério, na oração, especialmente na Eucaristia cotidiana, e assim serviremos a Igreja e toda a humanidade. Esta é a nossa alegria que ninguém pode nos tirar. Antes de saudá-los pessoalmente, desejo dizer que continuarei próximo com a oração, especialmente nos próximos dias, para que sejais plenamente dóceis à ação do Espírito Santo na eleição do novo Papa. Que o Senhor vos mostre quem Ele quer. E entre vós, entre o Colégio dos cardeais, está também o futuro Papa, ao qual já hoje prometo a minha incondicionada reverência e obediência”.



Fonte: CNBB

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Bento XVI deixa aos cardeais a faculdade de antecipar o Conclave



Foi publicada nesta segunda-feira, 25 de fevereiro, a Carta Apostólica de Bento XVI em forma de Motu Proprio "Normas nonnullas", sobre algumas modificações nas regras relativas à eleição do Romano Pontífice.
No documento, Bento XVI faz algumas alterações nas normativas precedentes para "garantir o melhor desempenho de respeito, mesmo com ênfase diferente, da eleição do Sumo Pontífice, e de uma mais correta interpretação e aplicação de algumas disposições.
"Nenhum cardeal eleitor poderá ser excluído tanto da eleição ativa quanto da passiva por nenhum motivo ou pretexto, exceto conforme previsto nos números 40 e 75 da Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis", afirma Bento XVI. Foi estabelecido que a partir do momento em que a Sé Apostólica estiver legitimamente vacante, espera-se quinze dias para ter início o Conclave.
O Papa deixa ao Colégio Cardinalício a faculdade de antecipar o início do Conclave se consta da presença de todos os cardeais eleitores, como também a faculdade de prolongar, se existirem motivos graves, o início da eleição por alguns outros dias. Passados ao máximo vinte dias do início da Sé Vacante, todos os cardeais eleitores presentes devem proceder à eleição.
Especificam-se as normas para o sigilo do Conclave: "Todo o território da Cidade do Vaticano e também a atividade ordinária dos escritórios dentro de seu âmbito deverão ser regulados, no dito período, a fim de garantir a discrição e o desempenho livre de todas as operações ligadas à eleição do Sumo Pontífice. Em particular deverá ser previsto, com a ajuda de prelados clérigos, que ninguém se aproxime dos cardeais eleitores durante o percurso da Casa Santa Marta ao Palácio Apostólico Vaticano.
Todas as pessoas que por qualquer motivo e em qualquer tempo ficarem sabendo do que diretamente ou indiretamente concerne aos atos relativos à eleição, sobretudo em relação às cédulas na própria eleição, são obrigadas ao segredo absoluto com qualquer pessoa que não faça parte do Colégio dos Cardeais eleitores. Para esse objetivo, antes do início das eleições, eles deverão fazer juramento segundo modalidades precisas na consciência de que uma sua infiltração levará a excomunhão "latae sententiae", reservada à Sé Apostólica.
Foram abolidas as eleições por aclamação e por compromisso. A única forma reconhecida de eleição do Romano Pontífice é a de voto secreto.
"Se as votações das quais nos números 72, 73 e 74 da Constituição Apostólica Universi Dominici gregis não terão êxito, ficou estabelecido que se dedique um dia de oração, reflexão e diálogo. Nas votações sucessivas, "terão voz passiva somente os dois nomes que na votação precedente obtiveram o maior número de votos, nem poderá retirar-se da disposição que para a eleição válida, mesmo nestes votos, é exigida a maioria qualificada de pelo menos dois terços dos votos dos cardeais do presentes e votantes. Nessas votações, os dois nomes que têm voz passiva não têm voz ativa".
"Realizada canonicamente a eleição, o último dos Cardeais diáconos chama na sala da eleição o secretário do Colégio Cardinalício, o mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias e dois Mestres de Cerimônias; então o Cardeal Decano, ou o primeiro dos cardeais por ordem e idade, em nome de todo o Colégio dos eleitores pede o consenso do eleito com as seguintes palavras: Aceita a sua eleição canônica como Sumo Pontífice? E apenas recebido o consenso ele pergunta: Como gostaria de ser chamado? Então o Mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias, atuando como tabelião e as tendo como testemunhas dois Mestres de Cerimônias, redige um documento sobre a aceitação do novo Papa e o nome tomado por ele".


Com a Carta Apostólica De aliquibus mutationibus em normis de electione Romanos Pontificis dado Motu Proprio em Roma em 11 de Junho de 2007, no terceiro ano de Pontificado, estabeleceram algumas regras, revogando as prescritas no número 75 da Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis promulgada 22 de fevereiro de 1996 pelo meu predecessor, o Beato João Paulo II, re-estabeleceu a regra, sancionada pela tradição, segundo a qual para a válida eleição do Romano Pontífice é sempre necessária maioria de dois terços dos votos dos Cardeais eleitores presentes.
Dada a importância de garantir o melhor desempenho de respeito, embora com ênfase diferente, a eleição do Romano Pontífice, em particular, uma interpretação mais confiável e execução de determinadas disposições vai estabelecer e determinar que certas disposições da Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis e Como eu me coloquei na Carta Apostólica referido deve ser substituída pela seguinte disposição:
n. 35. "Não Cardeal eleitor pode ser excluído da ativa e passiva, sem motivo ou desculpa, exceto como previsto no n. 40 e n. 75 desta Constituição."
n. 37. "Eu a fim de que, a partir do momento em que a Sé Apostólica é legalmente vago, você deve esperar por 15 dias completos para o ausente antes do Conclave, no entanto, deixar o Colégio de Cardeais pode antecipar o início do conclave se certo da presença de todos os Cardeais eleitores, bem como o direito de estender, se houver motivos graves, o início da eleição para mais alguns dias. gastos, mas, no máximo, 20 dias antes do início da Sé Vacante, todos os Cardeais eleitores presentes são necessário para proceder à eleição. "
n. 43. "A partir do momento que foi marcada para o início da eleição, até que o público dell'avvenuta anúncio eleição do Sumo Pontífice, ou pelo menos até que ele ordenou o novo Pontífice, os quartos do Domus Sanctae Marthae , como também, e sobretudo a Capela Sistina e as salas utilizadas nas celebrações litúrgicas deve ser fechado sob a autoridade do Cardeal Camerlengo e com a colaboração externa de Vice-Chamberlain eo vice-secretário de Estado, a pessoas não autorizadas, como estabelecido nos números seguintes.
Todo o território da Cidade do Vaticano e também das atividades ordinárias dos escritórios estabelecidos no seu escopo deve ser ajustada, para esse período, a fim de garantir a confidencialidade e ao livre desenvolvimento de todas as operações relacionadas com a eleição de Sumo Pontífice. Em particular, iremos fornecer, com a ajuda dos Prelados Clérigos da Câmara, os Cardeais eleitores não são abordados por ninguém no caminho da Domus Sanctae Marthae do Palácio Apostólico Vaticano. "
n. 46, parágrafo 1. "Para atender as necessidades pessoais e de escritório relacionados com a realização das eleições, deve estar disponível e depois convenientemente alojados em instalações adequadas, dentro dos limites referidos no n. 43 da Constituição, o Secretário do Colégio dos Cardeais, que atua como secretário da assembleia eleitoral, o Mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias, com oito cerimônias religiosas e dois oficiais Sacristia Pontifícia, um clérigo escolhido pelo Cardeal Decano, ou o Cardeal que assume o seu lugar, para ajudá-lo em seu escritório. "
n. 47. "Todas as pessoas listadas no n. 46 e n. 55, § 2 º da presente Constituição Apostólica, que por qualquer motivo ea qualquer tempo se tornam cientes de alguém, direta ou indiretamente, no que respeita à eleição atua adequado e, em particular, em relação às cédulas na própria eleição teve lugar, estão obrigados a sigilo absoluto com qualquer pessoa fora do Colégio de Cardeais eleitores para o efeito, antes do início da eleição, prestará juramento na forma e a fórmula mostrada no número seguinte ".
n. 48. "As pessoas referidas no n. 46 e n. 55, parágrafo 2 º da Constituição, devidamente avisados sobre o significado ea extensão do juramento de ser fornecidos antes do início da eleição, antes do Cardeal Camerlengo ou outro Cardeal pelo mesmo diretor, a presença de dois Número Protonotari Apostólico de participantes no devido tempo vai falar e assinar o juramento de acordo com a seguinte fórmula:
Eu, NN promessa, e juro ao sigilo absoluto com quem não faz parte do Colégio dos Cardeais eleitores, e que, para sempre, a menos que receba poderes especiais expressamente dadas pelo novo Papa eleito ou seus sucessores, sobre tudo a ver com direta ou indiretamente na votação e as cédulas para a eleição do Sumo Pontífice.
Da mesma forma, prometo e juro que se abstenha de utilizar qualquer aparelho de gravação ou de audição ou visão de como, durante a eleição tem lugar no âmbito da Cidade do Vaticano, e, particularmente, uma vez que é direta ou indiretamente, de qualquer maneira ele relevantes para as operações relacionadas com a própria eleição.
Posso confirmar que a edição deste juramento, sabendo que vai resultar em uma infração contra mim a pena de excomunhão "latae sententiae" reservada à Sé Apostólica ".
Assim Deus me ajude e estes Santos Evangelhos, que toco com a minha mão. "
n. 49. "Comemore de acordo com os ritos prescritos o funeral do saudoso Pontífice, preparou o que é necessário para o bom desenrolar da eleição, no dia designado, nos termos do n. 37 da Constituição, para o início do conclave todos os cardeais vão concordar na Basílica de São Pedro, no Vaticano, ou em outro lugar de acordo com as oportunidades e necessidades de tempo e lugar, a tomar parte em uma solene celebração eucarística com a Missa votiva pro eligendo Papa (19). Isto deve ser feito de preferência nas primeiras horas da manhã adequado para que no período da tarde pode ser realizada conforme previsto nos números seguintes da Constituição. "
n. 50. "A partir da Capela Paulina do Palácio Apostólico, onde serão coletadas em hora conveniente da parte da tarde, os Cardeais eleitores em vestido coral vai em procissão solene, invocando, com o canto do Veni Creator assistência do Espírito Santo, a Capela Sistina do Palácio Apostólico, lugar e localização do processo eleitoral. participantes do vice procissão Camerlengo, o Auditor Geral da Câmara Apostólica e dois membros de cada uma das Faculdades de Protonotari Número Apostólico de participantes de Prelados Auditores da Rota Romana e os Prelados Clérigos da sala. '
n. 51, n º 2. "Vai, pois, o Colégio dos Cardeais, trabalhando sob a autoridade e responsabilidade do Camerlengo assistida pela Congregação particular referido no n. 7 da Constituição, que, na referida Capela e salas adjacentes, tudo é preparado com antecedência, mesmo com a ajuda de fora do Chamberlain, Vice e Secretário de Estado Adjunto, de modo que a eleição regular e confidencialidade deve ser protegida. "
n. 55, parágrafo 3. "Se qualquer violação desta norma foi concluída, os autores sabem que sofrerão a pena de excomunhão latae sententiae reservada à Sé Apostólica ".
n. 62. "Modos de abolição da eleição chamados para acclamationem Seu inspirationem e para compromissum, a forma de eleição do Romano Pontífice, doravante apenas para scrutinium .
, portanto, decreto que, para a válida eleição do Romano Pontífice requerem pelo menos dois terços dos votos, calculado com base no presente votantes e votantes. "
n. 64. "O procedimento da eleição acontece em três etapas, a primeira das quais poderia ser chamado de pesquisa de pré- inclui: 1) a preparação e distribuição de cédulas dos Mestres de Cerimônias - entretanto chamada Aula juntamente com o Secretário do Conselho de Administração Cardeais e com o Mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias - que dão pelo menos dois ou três a cada um dos Cardeais eleitores; 2) o sorteio, entre todos os Cardeais eleitores, de três Escrutinadores, três acusados de recolher os votos dos doentes , pediu brevidade Infirmarii , e três auditores, este desenho é feito publicamente pelo último Cardeal Diácono, que chama os nove nomes daqueles que estão para executar essas tarefas; 3) se a extração dos Escrutinadores, Infirmarii e de Contas, deixando os nomes dos Cardeais eleitores que por motivos de doença ou outro não são capazes de executar essas tarefas, em seu lugar são extratos os nomes dos outros não proibidos. Os três primeiros extratos ato como Escrutinadores, o segundo três como Infirmarii , auditores de outros três. "
n. 70, parágrafo 2. "Os escrutinadores são a soma de todos os votos que cada um obteve, e se ninguém chegou a pelo menos dois terços dos votos na votação, o Papa não foi eleito, mas se acontece que alguém tenha obtido pelo menos dois terços são foi a eleição do Romano Pontífice, canonicamente válida. "
n. 75. "Se as eleições que se refere o n. 72, 73 e 74 da Constituição acima mencionado irá falhar, é um dia dedicado à oração, reflexão e diálogo, nas eleições subseqüentes, observada a ordem estabelecida no n. 74 da Constituição terá voz passiva apenas dois nomes na eleição anterior, teve o maior número de votos, ou você pode retirar-se da provisão para a eleição válida, mesmo nestas eleições, ela requer uma maioria qualificada de pelo menos dois terços dos votos dos cardeais presentes e votantes. Nesta eleição, os dois nomes que não têm voz ativa voz passiva ".
n. 87. "Aconteceu canonicamente eleitos, os juniores convocação cardeal diácono na eleição, o Secretário do Colégio dos Cardeais, o Mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias e dois Mestres de Cerimônias, de modo que o Cardeal Decano, ou o primeiro da ordem cardeais e antiguidade, em nome de todos o Colégio de eleitores pede o consentimento das seguintes palavras: Você aceita a sua eleição canônica como Sumo Pontífice? E acaba de receber a autorização, ele pergunta: Como você quer ser chamado? Então o Mestre de Cerimônias litúrgica papal, atuando como tabelião e as testemunhas para ter dois Mestres de Cerimônias, elaborar um documento sobre a aceitação do novo Papa e o nome tomado por ele. "
Este documento entrará em vigor imediatamente após a sua publicação no L'Osservatore Romano .
Isto irá estabelecer e decidir, não obstante qualquer disposição em contrário.
Dado em Roma, junto de São Pedro, no dia 22 de fevereiro, no ano de 2013, o oitavo de Pontificado.
Benedictus PP XVI

Bento XVI: "Quaresma é tempo de renegar o orgulho e o egoísmo para viver no amor"


A Quaresma nos ensina que a fé em Deus é "o critério-base" da vida da Igreja. Foi o que afirmou o Papa Bento XVI no Ângelus deste domingo, da janela de seus aposentos que dá para a Praça São Pedro, o primeiro após o anúncio da sua renúncia ao ministério petrino.
Falando aos milhares de fiéis e peregrinos que o saudaram com afeto e comoção, Bento XVI ressaltou que, se estivermos unidos a Cristo, não devemos ter medo de combater o mal. Muitas faixas e cartazes levados pelos fiéis e peregrinos para a Praça São Pedro atestavam proximidade e gratidão ao Pontífice. Na saudação aos presentes Bento XVI agradeceu aos que estão rezando por ele, pela Igreja e pelo próximo Papa.
A Quaresma, iniciada com o Rito das Cinzas, é "tempo de conversão e penitência" que deve reorientar-nos "decididamente a Deus, renegando o orgulho e o egoísmo para viver no amor". O Santo Padre iniciou assim a sua meditação sobre o Evangelho dominical que narra as tentações de Jesus no deserto. E ressaltou que a Igreja, mãe e mestra, "convida todos os seus membros a se renovarem no espírito":
"Neste Ano da Fé a Quaresma é um tempo favorável para redescobrir a fé em Deus como critério-base da nossa vida e da vida da Igreja. Isso comporta sempre uma luta, um combate espiritual, porque o espírito do mal naturalmente se opõe à nossa santificação e busca fazer-nos desviar do caminho de Deus."
Em seguida, Bento XVI observou que Jesus é conduzido ao deserto para ser tentado pelo diabo no momento de "iniciar o seu ministério público". Portanto, não um momento casual:
"Jesus teve que desmascarar e repelir as falsas imagens de Messias que o tentador lhe propunha. Mas essas tentações são também falsas imagens do homem, que em todos os tempos insidiam a consciência, travestindo-se de propostas convenientes e eficazes, até mesmo boas."
Os evangelistas Mateus e Lucas, observou, apresentam as tentações diversificando-as por ordem, mas a sua natureza não muda:
"O núcleo central delas consiste sempre no instrumentalizar Deus em função dos próprios interesses, dando mais importância ao sucesso ou aos bens materiais. O tentador é astuto: não impele diretamente em direção ao mal, mas em direção a um falso bem, fazendo crer que as verdadeiras realidades são o poder e aquilo que satisfaz as necessidades primárias."
"Desse modo – acrescentou – Deus torna-se secundário, se reduz a um meio, definitivamente, torna-se irreal, não conta mais, desvanece":
"Nos momentos decisivos da vida, mas, olhando bem, em todos os momentos, encontramo-nos diante de uma bifurcação: queremos seguir o eu ou Deus? O interesse individual ou o verdadeiro Bem, aquilo que realmente é bem?"
As tentações, prosseguiu, fazem parte da "descida" de Jesus à nossa condição humana, "ao abismo do pecado e das suas conseqüências". Uma descida que Jesus fez até os "infernos do extremo distanciamento de Deus". Desse modo, afirmou, Jesus é, portanto, "a mão que Deus estendeu ao homem, à ovelha perdida para reconduzi-la a salvo":
"Portanto, também nós não temos medo de enfrentar o combate contra o espírito do mal: o importante é que o façamos com Ele, com Cristo, o Vencedor. E para estar com Ele dirigimo-nos à Mãe, Maria: invoquemos Nossa Senhora com confiança filial no momento da provação, e ela nos fará sentir a potente presença de seu Filho divino, para repelir as tentações com a Palavra de Cristo, e assim recolocar Deus no centro da nossa vida."
No momento das saudações em diversas línguas, Bento XVI agradeceu àqueles que estão rezando por ele e pela Igreja nestes dias, manifestando afeto e proximidade. Em espanhol, pediu que continuem rezando pelo próximo Papa. Em alemão, pediu aos fiéis que estejam próximos a ele e à Cúria Romana, sobretudo por ocasião desta semana de Exercícios espirituais. Por fim, fez uma calorosa saudação aos presentes de língua italiana, com um pensamento especial aos fiéis e cidadãos de Roma – dos quais é pastor qual Bispo de Roma:
"O brigado por virem tão numerosos! Também isso é um sinal do afeto e da proximidade espiritual que vocês estão me manifestando nestes dias. Saúdo, em particular, a administração de Roma Capital, conduzida pelo prefeito, e com ele saúdo e agradeço a todos os habitantes dessa amada Cidade de Roma."
Num twett, por volta das 12h30 deste domingo, o Pontífice reiterou que a "Quaresma é um tempo favorável para redescobrirmos a fé em Deus como base da nossa vida e da vida da Igreja."

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Ministério petrino


Quando dizemos em nossa profissão de fé “Creio na Santa Igreja Católica”, afirmamos que os bispos são os sucessores dos apóstolos e que seu chefe é o bispo de Roma, o Papa. Este artigo de fé precisa ser entendido e aprofundado para podermos perceber o real alcance dele. A missão do Romano Pontífice é a de servir a todos os fiéis, confirmando-os na fé verdadeira e reta e unindo-os no mesmo rebanho de Cristo.
São Pedro na Sagrada Escritura
Os livros do Novo Testamento foram escritos na segunda metade do século 1 d.C.. Eles são um testemunho escrito, com a assistência do Espirito Santo, da fé da Igreja Apostólica. Os evangelhos nos revelam bem o destaque dado ao apóstolo Pedro. A razão para isto é, sem dúvida, a escolha que o Senhor fez de colocá-lo como pastor e guia de sua Igreja (Mt 16,13-20; Lc 22,31-34; Jo 21,15-19). O livro dos Atos dos Apóstolos nos mostra a figura de liderança que São Pedro exerceu na Igreja, deixando claro que Ele viveu de acordo com a vontade de Jesus (At 1,15-26; 2,14-41; 3,1-26; 4,1-22; 8,14-25; 9,31-43; 15,1-35...).
O martírio de São Pedro
Segundo a Tradição, o chefe da Igreja nascente foi martirizado na perseguição do imperador Nero, entre os anos de 64 e 67. Ele teria morrido crucificado de cabeça para baixo, por seu próprio desejo, na capital do império, a cidade de Roma. No lugar onde seu corpo foi enterrado surgiu um pequeno templo, que se tornou lugar de peregrinação dos cristãos. No quarto século, o imperador Constantino mandou erguer um novo – a Basílica de São Pedro. No século passado, as pesquisas arqueológicas realizadas no subsolo desta basílica confirmaram que o corpo do apóstolo está realmente enterrado lá.
A Primazia da Igreja de Roma
Alguns escritos cristãos antigos nos mostram a importância da Igreja de Roma e de seu bispo para manter a unidade e decidir as questões de fé. A carta de São Clemente, bispo de Roma, no final do primeiro século, destaca a autoridade e o primado desta Igreja sobre as outras. Santo Inácio de Antioquia escreve à Igreja de Roma se dirigindo a ela como aquela que “preside à caridade”, sinalizando a preeminência desta. Por conta das questões da data da Páscoa, na metade do segundo século, o bispo de Roma, São Vitor, por sua autoridade, foi quem definiu esta questão. Santo Irineu, no final do segundo século, no seu livro “Contra as Heresias”, afirma a autoridade romana e o seu papel de confirmar e guardar a doutrina.
Por conta do trabalho missionário e do martírio de São Pedro e de São Paulo, a Igreja de Roma foi considerada aquela a principal entre as outras. Ela recebeu a doutrina diretamente das duas grandes colunas da fé cristã. Por isso, recebeu a missão de confirmar a fé e os costumes das outras comunidades, a partir dos ensinamentos recebidos e guardados dos apóstolos. Cada comunidade devia estar em consonância com a Igreja de Roma, pois esta era encarada como a medida da doutrina correta e genuína.
A sucessão do ministério
Santo Irineu, ainda no “Contra as Heresias”, legou uma lista com a sucessão dos bispos de Roma, ou seja, os primeiros Papas. Segundo ele, Pedro e Paulo confiaram a Lino o ministério episcopal. Após Lino vieram Anacleto, Clemente, Evaristo, Alexandre, Sisto, Telésforo, Higino, Pio, Aniceto, Sotero, Eleutério. Ora, já desde o segundo século ficaram registrados os nomes dos 12 primeiros sucessores de São Pedro como sinal da importância desta cátedra. Assim, aparece o valor desta Igreja e de seu bispo.
Ao longo da história da Igreja, nós já tivemos 264 sucessores de Pedro. Ele pode ser chamado de Papa (título carinhoso que remonta a palavra pai); Pontífice (por ser o representante máximo na terra do povo de Deus); servo dos servos (destacando que sua função é de serviço aos cristãos); bispo de Roma (quem recebe a presidência da Igreja de Roma se torna o chefe da Igreja universal); e, vigário de Cristo (ele é o representante máximo de Cristo cabeça, presidindo seu corpo na Terra).
As funções do Romano Pontífice
O Papa é a cabeça do colégio episcopal, o vigário de Cristo e o pastor da Igreja universal. Ele é o representante de Cristo na Terra. Cabe a ele colocar em prática tudo aquilo que o Senhor pediu. Ele exerce a função de ensinar o povo de Deus e, para isto, goza da infalibilidade pessoal quando, em seu magistério extraordinário, define algo em matéria de fé e de moral. Além disto, ao seu magistério ordinário, apesar de não ser infalível, deve ser dado assentimento religioso da vontade e da razão. O bispo de Roma é o perpétuo e visível princípio e fundamento da unidade da Igreja. É ele quem, ensinando a verdade, coloca a medida para todos os católicos. Se alguém ou algum grupo se coloca contra o Papa, se coloca contra a própria Igreja de Jesus Cristo.
Para aprofundar...
Indicamos a leitura do CIC, nos números 874-896; do Compêndio do Catecismo, pergunta 182; do YouCat, perguntas 141 a 143; e, da “Lumen Gentium”, parágrafos 19 ao 27.
Pe. Vitor Gino Finelon
Vice-Diretor das Escolas de Fé e Catequese
Mater Ecclesiae e Luz e Vida

“Não abandono a Igreja”, disse Bento XVI no último Angelus do seu pontificado


“Não abandono a Igreja, pelo contrário. Continuarei a servi-la com a mesma dedicação e o mesmo amor”: palavras de Bento XVI pronunciadas em seu último Angelus como Pontífice, neste domingo, 24 de fevereiro.
O Senhor me chama a “subir o monte”, para me dedicar ainda mais à oração e à meditação. Mas isto não significa abandonar a Igreja, ao contrário, se Deus me pede isso é precisamente para que eu possa continuar a servi-la com a mesma dedicação e o mesmo amor com o qual eu fiz até agora, mas de um modo mais adequado à minha idade e às minhas forças.
A Praça S. Pedro estava lotada este domingo para este evento histórico. Faixas e cartazes em várias línguas demonstraram o carinho dos fiéis. A Praça desde as primeiras horas da manhã aos poucos foi sendo tomada por religiosas, sacerdotes, turistas, mas principalmente por famílias com crianças e muitos jovens.
Ao meio-dia, assim que a cortina da janela de seus aposentos se abriu, Bento XVI foi aclamado pela multidão.
Comentando o Evangelho da Transfiguração do Senhor, o evangelista Lucas ressalta o fato de que Jesus se transfigurou enquanto rezava: a sua é uma experiência profunda de relacionamento com o Pai durante uma espécie de retiro espiritual que Jesus vive sobre um alto monte na companhia de Pedro, Tiago e João.
Meditando sobre esta passagem do Evangelho, explicou o Pontífice, podemos tirar um ensinamento muito importante. Antes de tudo, a primazia da oração, sem a qual todo o trabalho de apostolado e de caridade se reduz ao ativismo. Na Quaresma, aprendemos a dar o justo tempo à oração, pessoal e comunitária, que dá fôlego à nossa vida espiritual. Além disso, a oração não é um isolar-se do mundo e de suas contradições.
A existência cristã – disse o papa, citando sua Mensagem para a Quaresma –, consiste num contínuo subir o monte do encontro com Deus, para depois descer trazendo o amor e a força que dele derivam, a fim de servir nossos irmãos e irmãs com o mesmo amor de Deus.
“Queridos irmãos e irmãs, esta Palavra de Deus eu a sinto de modo particular dirigida a mim, neste momento da minha vida. O Senhor me chama a “subir o monte”, para me dedicar ainda mais à oração e à meditação. Mas isto não significa abandonar a Igreja, ao contrário. Se Deus me pede isso, é precisamente para que eu possa continuar a servi-la com a mesma dedicação e o mesmo amor com o qual eu fiz até agora, mas de um modo mais adequado à minha idade e às minhas forças”.
Na saudação em várias línguas, Bento XVI falou também em português: “Queridos peregrinos de língua portuguesa que viestes rezar comigo o Angelus: obrigado pela vossa presença e todas as manifestações de afeto e solidariedade, em particular pelas orações com que me estais acompanhando nestes dias. Que o bom Deus vos cumule de todas as bênçãos”.
Fonte: CNBB

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Site oficial da CF 2013 oferece informações e subsídios para as comunidades


A Equipe de Comunicação da Campanha da Fraternidade (CF) 2013, formada por jovens que representam pastorais, movimentos, comunidades de todos os cantos do país, criou um espaço importante para a partilha das ações da Campanha. É o hotsite www.cf2013.org.br, que aliado aos perfis nas redes sociais, visa colaborar na mobilização da Igreja no Brasil na reflexão do tema “Fraternidade e Juventude”.
“Fundamentados no texto-base, vamos movimentar a CF 2013 com uma linguagem diferenciada, própria de nós jovens”, afirma a equipe na apresentação do hotsite. Além de oferecer os subsídios da Campanha, o espaço traz artigos e notícias sobre as iniciativas nos quatro cantos do país.
Os jovens podem colaborar com o hotsite, enviando a notícia de como está sendo realizada a Campanha em sua diocese, paróquia, congregação, movimento ou comunidade. Basta clicar na aba “Seja um correspondente”. A coordenação é da equipe “Jovens Conectados”, da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da CNBB.
A CF é uma proposta evangelizadora da Igreja Católica desenvolvida na quaresma em preparação para a Páscoa. A campanha tem a missão de despertar o espírito comunitário e cristão; educar para a vida em fraternidade; e renovar a consciência da responsabilidade social.

“Deus é caridade: da caridade de Deus tudo provém, por ela tudo forma, para ela tudo tende” (Papa Bento XVI)


O papa Bento XVI durante os seus oito anos de pontificado deixou um verdadeiro legado. Suas obras científicas permearão pela eternidade como um aprendizado para as atuais e futuras gerações. Como membro de várias academias científicas da Europa, e com oito doutorados honoríficos de diferentes universidades, o Santo Padre sempre foi um intelectual, e profundo conhecedor da essência humana.
Na Carta Encíclica, Caritas in Veritate, dos documentos pontifícios, Bento XVI chama a atenção para temas contemporâneos como os desvios e esvaziamento do sentido da caridade na atualidade, que a excluem da vida ética, e ainda impedem a sua correta valorização. No documento intitulado “O Desenvolvimento Humano Integral na Caridade e na Verdade”, Bento dedica aos bispos, presbíteros, diáconos, pessoas consagradas, fiéis leigos, e a todos as pessoas de boa vontade, uma intensa reflexão sobre a caridade, via mestra da doutrina social da Igreja.
“A caridade é amor recebido e dado; é graça. A sua nascente é o amor fontal do Pai pelo Filho no Espírito Santo. É amor, que, pelo filho, desce sobre nós. É amor criador pelo qual existimos; amor redentor, pelo qual somos recriados.”. Descreve um trecho da Carta.
Perante uma realidade de um mundo cada vez mais individualista, o Sumo Pontífice faz um chamamento ao “bem comum”. “Amar alguém é querer o seu bem e trabalhar eficazmente pelo mesmo. Ao lado do bem individual, existe um bem ligado à vida social das pessoas: o bem comum. É o bem daquele “nós-todos”, formados por indivíduos, famílias e grupos intermediários que se unem em comunidade social. Não é um bem procurado por si mesmo, mas para as pessoas que fazem parte da comunidade social e que, só nela, podem realmente e com maior eficácia obter o próprio bem. Querer o bem comum e trabalhar por ele é exigência de justiça e de caridade.”
O papa ainda questiona o sentido e os critérios que a sociedade se baseia para “diferenciar” os seres humanos. “A vocação ao progresso impele os homens a “realizar, conhecer e possuir mais, para ser mais”. Aqui levanta-se o problema, sobre o que significa “ser mais”? Para responder a esta indagação Bento XVI lembra Paulo VI: “O que conta para nós é o homem, cada homem, cada grupo de homens, até se chegar à humanidade inteira”.